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Salvador das Missões: há um ano, Roseli tentou em vão fugir dos tiros disparados pelo ex-marido

29 de janeiro de 2019 l 16:37
Materia atualizada: 30/01/2019 l 08:09

Familiares nunca mais verão o sorriso da jovem empresária, mãe e voluntária em causas sociais





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Hoje era para ser um dia de festa para a família Leichtweis, de Salvador das Missões. O patriarca está de aniversário. Mas a data não tem comemoração. Há exatamente um ano, a sua filha caçula foi assassinada na própria casa com vários tiros. Era o final da tarde do ensolarado dia 29 de janeiro de 2018 quando Roseli Leichtweis, de 32 anos, tentou em fugir em vão dos disparos de arma de fogo do homem com quem teve um filho e dividiu parte da sua vida. A casa ficou suja de sangue. A família ficou destruída e o pequeno filho, ficou sem mãe.

Os Leichtweis não têm mais alegrias e sofre muito desde então. “Nosso coração está dilacerado, bagunçado e muito revoltado”, diz a irmã Soeli Leichtweis. Por mais que procure, ajuda não consegue aceitar porque isso aconteceu com ela a seus familiares, que nunca mais verão o sorriso de Roseli novamente. “Eu preciso aceitar o que aconteceu, pois foi destino de Deus, que escreve o que irá nos acontecer e que a morte dela era de ser assim, mas vocês não têm noção o que é escutar isso”, desabafa. Hoje o túmulo da vítima recebe familiares, com flores e orações.

O ex-marido está preso desde a semana em que o crime aconteceu, mas isso não conforta a família da vítima. Após assassinar Roseli, tentou se suicidar com um tiro no queixo. Ele foi indiciado por feminicídio pelo delegado Marcus Viafore. Ainda não há data para o julgamento do feminicida.

Luta contra violência doméstica na região

Roseli era mulher independente. Aos 32 anos era mãe, empresária, graduada em Ciências Contábeis, proprietária de um escritório de contabilidade, voluntária em causas sociais e engajada na comunidade. Conforme familiares, ele não aceitava a separação, que foi pedida pela empresária em meados de 2017. Por causa de ameaças, só conseguiu sair de casa na metade de janeiro, duas semanas antes de ser assassinada pelo ex-marido. Sua história ficou como exemplo em Salvador das Missões e arredores, onde a população ficou sensibilizada com o crime brutal.

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Protestos foram realizados e as pessoas que conheciam Roseli tentam sensibilizar as demais para tentar evitar que outras vítima sejam assassinadas covardemente. Foi criado um grupo no Facebook chamado “Somos tua voz, Roseli”. Ali são postadas informações de prevenção e discussão sobre como combater a violência contra as mulheres.

Mas alguns homens de Salvador das Missões se recusam a entender que não possuem direito de agredir e assassinar as mulheres.  Poucos meses depois do feminicídio, uma humilde moradora do interior do município teve 80% do corpo queimado pelo marido. Irene Elci Maluchewski, de 37 anos, foi internada e lutou pela vida por semanas, mas faleceu. O crime aconteceu na presença do filho de 12 anos, que agora está sob os cuidados dos avós, moradores de São Nicolau. O marido foi preso e indiciado, mas conseguiu liberdade e está solto. A defesa alega que o crime foi acidental.

“Eu a espero todas as semanas”

Soeli diz que espera a irmã todas as semanas.  “Ainda é muito frequente eu me pegar fazendo planos ou pegar no telefone para lhe ligar quando alguma coisa boa acontece”, destaca. Ela tenta engajar a comunidade na luta contra a violência doméstica, mas encontra dificuldades. “Eu já escutei tanta coisa. Dizem que a minha irmã deve ter feito algo muito errado pra ele ter feito isso”, conta. Mesmo assim, a família segue na luta e na esperança de que outras pessoas não passem pela mesma situação dolorosa.

Onde procurar ajuda

Em casos de violência, a polícia pode ser acionada pelo 190 ou 197. O município é atendido pela Delegacia de Polícia de Cerro Largo, na rua Monteiro Lobato, 398 – Centro. O telefone é (55) 3359-1818.  O disk violência doméstica é o 180. 

Autora: Amanda Lima

Fonte: Rádio Missioneira


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