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São Luiz Gonzaga
15 de dezembro de 2018
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Assassino de Natiele tentou suicídio antes de ser preso; ato é comum em feminicidas

Foto: Divulgação/Brigada Militar
15 de dezembro de 2018 l 09:45
Materia atualizada: 15/12/2018 l 09:57

Dos quatro feminicídios desta semana no estado, em três houve suicídio tentado ou consumado





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Dos quatro casos de feminicídio no Rio Grande do Sul nesta semana, em três os assassinos consumaram ou tentaram se suicidar. José Valnês Silva Siqueira, de 38 anos, acusado de matar a ex-companheira Natiele Ávila em São Nicolau, foi um dos que tentou se matar após o crime. O suicídio não foi consumado porque a Brigada Militar o prendeu antes do ato. Ele foi preso em flagrante e está na Penitenciária Estadual de São Luiz Gonzaga.

O homem, que é trabalhador rural, estava proibido de se aproximar da jovem, mãe de uma menina de 14 anos e um menino de dois, filho do feminicida. Segundo a delegada Elaine Maria Schons, que atendeu o caso, a vítima tinha medidas protetivas, mas não foram respeitadas pelo ex-marido. No entanto, Natiele não procurou a polícia para relatar que as ameaças continuavam. “Quando o agressor não respeita as medidas ele é preso preventivamente”, explicou. “Neste caso eu entendo que não houve falha da polícia, pois teríamos pedido a prisão dele se soubéssemos que não cumpria a medida protetiva”, destacou.

Encorajamento a denúncias

Elaine encoraja as mulheres a solicitarem as medidas protetivas. Ao não serem cumpridas, a vítima deve procurar a polícia imediatamente. “Muitas pensam que vai ser pior denunciar. Mas conseguimos a prisão e quem sabe preservar uma vida”, explicou à reportagem da Missioneira. No caso da Natiele, ela tinha a esperança que o ex-marido parasse de ameaçá-la e que não iria a atacar como fez.

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José Valnês a matou no meio da rua com 20 facadas. Ela estava com uma amiga, que tentou defendê-la, mas não conseguiu. A amiga foi ouvida como testemunha do crime, já que presenciou o feminicídio. O inquérito, realizado pelo delegado José Renato Moura, está em andamento e deve ser finalizado nos próximos dias.

Problema cultural

Segundo a delegada Elaine, que tem anos de atuação no atendimento a mulheres vítimas de violência, chama a atenção o fato de muitos assassinos cometerem suicídio após matar as mulheres. “É um problema muito grave. O que leva uma pessoa a tirar a vida de alguém que diz amar e depois tirar a própria vida?”, reflete a profissional. Ela acrescenta que muitos dos homens são pais, que não se importam em deixar os filhos órfãos de pais e mãe. Elaine destaca que é uma questão que deve ser encarada como um problema cultural e de saúde.  A delegada acredita que os índices serão menores somente quando houver uma mudança de mentalidade das pessoas, de que o amor não pode ser possessivo.

O delegado José Renato, que atua em São Nicolau, destaca que os altos índices de feminicídio e outros crimes violentos no pequeno município tem relação com a deficiência educacional e de renda. “São Nicolau tem os índices ruins de desenvolvimento humano. Não é só isso, mas são fatores que contribuem para os crimes”, afirmou. Moura ainda ressalta que existem esforços para mudar essa realidade, principalmente de professoras e de palestras como as do Papo de Responsa, da Polícia Civil, mas ainda há muito para mudar. “Parece que tem gente que se orgulha de ser grosso. É um tipo de primitivismo”, explicou.

Comunidade em luto e revolta

O terceiro feminicídio em pouco mais de um ano em São Nicolau chama a atenção da comunidade para o problema. Durante o sepultamento de Natiele, um grupo organizado por mulheres marchou nas ruas da cidade. Em silêncio, vestidas de preto e com cartazes, chamaram atenção das pessoas para um problema que não pode mais fingir que não existe: os homens estão matando as mulheres. Além dos três feminicidios nos últimos 12 meses, a cidade teve neste ano 29 ocorrências de mulheres ameaçadas e sete agredidas – sem contar os inúmeros casos que não chegam à polícia.

Autora: Amanda Lima

Fonte: Rádio Missioneira


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