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São Luiz Gonzaga
3 de dezembro de 2018
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Médico cubano que chegou em São Luiz Gonzaga em 2014 relata sua experiência no Mais Médicos e opção por morar no Brasil

Foto: Amanda Lima/Rádio Missioneira
3 de dezembro de 2018 l 17:42
Materia atualizada: 04/12/2018 l 09:48

Rafael Machado Ramos se desligou do governo cubano e hoje diz que é livre





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O cubano Rafael Machado Ramos desembarcou no Brasil em março de 2014, no primeiro grupo do programa Mais Médicos. A cidade em que começou a trabalhar foi São Luiz Gonzaga, no mês seguinte à sua chegada em solo brasileiro. Na cidade das Missões o médico continua com atividades, ao lado da esposa Yamirka Hernandez Reyes, que também é médica, e a filha do casal, a pequena Valentina, que nasceu no Brasil.

Com encerramento do contrato com o programa em 2017, Rafael e a companheira optaram por continuar sua vida em São Luiz Gonzaga. “É uma cidade que amo. Sou são-luizense de coração”, contou à reportagem da Missioneira. Hoje ele trabalha no plantão do hospital local, após ter feito a prova chamada Revalida, que dá certificação legal para trabalhar em um país diferente de onde estudou.

O médico, que havia sido entrevistado pela emissora logo quando chegou à cidade, procurou a rádio após ler a reportagem das colegas cubanas que deixaram a cidade recentemente. Ele disse que tinha uma visão diferente da situação relatada por Maria e Marisol.

“Foi uma experiência muito linda”

Rafael já havia participado do programa Mais Médicos na Venezuela. No país sul americano, contou que a experiência não foi tão boa como a do Brasil. Aqui, o profissional relatou que cresceu como médico e como se humano. “Foi uma experiência muito linda”, resume. Com atuação no Posto do Centro por três anos, fez amizades e se integraram à comunidade. Machado destaca que sofreu um certo preconceito no início, mas que logo foi superado.

As amizades que fez e o apoio da comunidade cristã da Igreja Batista foram essenciais para o casal. Quando passaram por oito meses difíceis na cidade e sem o contrato com o programa, Rafael e Yamirka, que teve uma gravidez de risco, contaram com apoio de são-luizenses.

Outra dificuldade foi o exame Revalida, devido à burocracia com os imigrantes. Para conseguir se cadastrar levou mais de um ano. Depois, passou por todas as etapas, escrita, de pro eficiência e prática, sendo aprovado em tudo. “É muito burocrático, mas vejo que é necessário. A gente aprende sobre o código de ética e as leis do Brasil, que são diferentes”, recorda. Até morar no Brasil, não conhecia a Lei Maria da Penha, por exemplo, onde médicos precisam fazer laudos em mulheres vítimas de violência de gênero.

“O governo cubano não pensou nas pessoas”

Para ele, a decisão de retirar os médicos do país às pressas demonstrou que Cuba não se preocupa com pacientes nem com profissionais. “Foi uma decisão absurda e precipitada”, citou. “É um ótimo programa, que ajudou muitas pessoas. Eu fico triste pela maneira como tenha acabado”, lamentou.

Ficar no Brasil para o cubano representou liberdade. “Hoje eu sou um cubano livre. Posso falar o que eu quiser sem medo de ser perseguido”, argumentou. O médico viajou a Cuba e se desligou de vez do ministério cubano. “Eu não devo nada ao governo. Minha dívida é só com Deus. Tirei esse doutrinamento da minha cabeça”, ressaltou Rafael, que é da igreja Batista. “Eu penso que as minhas colegas choraram por ter que voltar ou são obrigadas a falar aquilo”, contou.

Ele vê o governo de Cuba como autoritário e ditador. Conforme o médico, quem decide ficar no Brasil e estar ligado ao programa fica proibido de ingressar na ilha por oito anos. “Pra quem tem família isso é muito difícil. Tem que voltar”, salientou.

Apesar dos problemas do país natal, declara que ama Cuba. Sempre que possível, pretende visitar a ilha, onde mora seus familiares e um filho. “Eu amo meu país e sinto falta da minha família”, contou. Além de atuar no hospital, o casal se inscreveu novamente no Mais Médicos, nas vagas disponíveis em Santo Ângelo. De qualquer maneira, pretende continuar com residência em São Luiz Gonzaga.

“Os extremos são fatais”

No Brasil, Rafael passou a ver o governo onde foi criado de forma diferente. Ele diz que não gosta de ditaduras, sejam elas de esquerda ou direita. “Os extremos, pra mim, são fatais sempre. Extremidade é miséria e falta de liberdade”, avalia. Acima de tudo, o médico se define como um cristão humanista e que tem um lema principal na vida. “Amar o próximo é o mais importante”, finaliza.

Autora: Amanda Lima

Fonte: Rádio Missioneira


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