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São Luiz Gonzaga
26 de novembro de 2018
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“Viemos trabalhar no Brasil conscientes e sem se importar com dinheiro”, relatam médicas cubanas que deixaram São Luiz Gonzaga

26 de novembro de 2018 l 20:15
Materia atualizada: 27/11/2018 l 09:10

Marisol Cano Quinones e Maria Del Carmo P. Fernandez destacam gratidão ao governo cubano





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“Vamos embora com o coração partido, mas com o sentimento de dever cumprido”. A declaração é das médicas cubanas Marisol Cano Quinones e Maria Del Carmo P. Fernandez, que estavam em São Luiz Gonzaga desde o ano passado. Elas foram pegas de surpresa com a notícia de que não poderiam mais atuar no Brasil, onde tinham contrato de três anos de trabalho.

Na sala do ESF do Centro de São Luiz Gonzaga, as médicas, emocionadas, conversaram a com a reportagem da Missioneira, enquanto a equipe do local preparava um almoço de despedida. Por várias vezes a entrevista foi interrompida para conter as lágrimas de Marisol e Maria, em especial nos momentos em que falaram da gratidão ao governo cubano pela formação e trabalho. “Eu sou médica graças à revolução cubana. Sou de família pobre e estudei de graça”, contou Marisol.

O contrato foi interrompido porque o presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro (PSL), condicionou a continuidade o salário anual aos médicos, conforme anúncio em seu perfil no Twitter.

Marisol e Maria não concordam, pois destinam com gratidão parte dos vencimentos mensais.  Ambas deixaram claro que vieram trabalhar em São Luiz Gonzaga totalmente ciente das condições e do salário. “Concordamos em destinar parte do nosso salário a Cuba, para manter os programas sociais gratuitos à população”, relatou Maria. Ela vê os programas do seu país como inigualáveis.

O importante é salvar vidas

Para as médicas, o importante é o dever com a medicina e com salvar vidas. “Não quero ser rica. Não trabalhamos por dinheiro. Temos formação humanista para salvar vidas em qualquer lugar do mundo onde precisarem”, argumentou Maria. Elas disseram sentir orgulho do serviço que Cuba presta com seus médicos em vários países do mundo, como em locais onde aconteceram desastres naturais e na África, onde atuaram na epidemia de Ebola. “Arriscamos as nossas vidas pelos outros e com amor”, citou Maria.

Para as médicas, o trabalho não deve fazer distinção de classe social, cor, raça ou orientação sexual. “Aprendemos que todos são iguais e com direito à saúde e bom atendimento”, relataram.

Ambas possuem uma visão diferente da comum sobre o que é o dinheiro. “Precisamos apenas de um salário pra sobreviver. Na medicina vemos que o dinheiro não compra tudo. Você pode ser milionário e ter um câncer”, destacou Marisol.  “Salvar vidas não tem preço”, resumiram as médicas.

Dever cumprido

As profissionais sentem que deram o seu melhor em São Luiz Gonzaga, cidade que definem como acolhedora e especial. Elas agradeceram aos médicos, enfermeiras, todas as equipes e aos pacientes, e afirmaram que foram sempre respeitadas na cidade. Marisol acrescentou que o trabalho teve êxito, com os índices de saúde dentro da normalidade.    As médicas destacaram as visitas domiciliares, as quais considera importante para as pessoas que não podem ir até o posto de saúde. Marisol, além de atender no bairro Presidente Vargas, atuou em comunidades do interior do município.

Orgulho de Cuba

Apesar de estarem tristes com a despedida repentina, já que tinham um contrato de três anos no Brasil, as profissionais disseram que respeitam a decisão e defendem o país natal. “Cuba é nosso país e sempre será. Temos muito orgulho da nossa história e do nosso trabalho”, resumiram Maria e Marisol, que no final de semana deixaram o Brasil. Elas voltaram a Cuba preparadas para cumprir sua missão de vida em qualquer lugar do mundo.

Autora: Amanda Lima

Fonte: Rádio Missioneira

 


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