Em frente ao espelho, vemos cada
vez mais um mundo doente, de intolerância e incompreensão. A violência se tornou tão comum e natural que
o senso de indignação para mudar algo pacificamente adormeceu, enquanto os
gritos de uma sociedade que caminha em direção a própria autodestruição são cada
vez mais ensurdecedores. A reflexão inicial parece trágica e realmente é,
provocada pelo padre Tarso Alles, da Paróquia de São Luiz Gonzaga.
Em entrevista à reportagem da
Missioneira nesta semana, chamada de “Semana Santa”, o sacerdote relembrou que
dentro da liturgia cristã todos são irmãos. Independente da ideologia, das
crenças e da fé, ele chama a atenção para a necessidade de que a sociedade
supere o quadro atual caracterizado pela intolerância e agressões contra as
pessoas.
Segundo Tarso, atualmente as
violências são cada vez mais amplas, com desrespeito a individualidade humana. “A quem sofre por causa da raça e do gênero. As mulheres são vítimas de uma
cultura patriarcal e machista, de abusos sexuais e da brutalidade doméstica”,
pontuou.
O sacerdote chamou a atenção para
um tempo de exploração sexual e de tráfico humano. De conflitos entre
produtores e povos tradicionais, que são tirados a força de suas propriedades e
espaços. Ele também falou das vítimas do narcotráfico, que perdem a vida por
drogas, não só pelo consumo, mas também do crime organizado, que resulta na
prisão de crianças e jovens, sem que os grandes traficantes sejam punidos.
Outro tema é a selvageria no trânsito, com perda devido a imprudência e pela
omissão de poderes públicos na qualidade das pavimentações. “Olha só quantos
humanos vilipendiados. É um momento muito difícil e precisamos o superar”,
disse.
Conforme o padre, a região das
Missões tem elevado número de suicídios e de homicídios. “Vivemos uma realidade
que não é estática. Podemos mudá-la. Devemos ser instrumentos de consciência,
paz e fraternidade”, exclamou. Para concluir a mensagem, Tarso afirmou que é
preciso haver perdão e acima de tudo, empatia e humanidade nas relações
interpessoais 365 dias por ano, e não só na Quaresma.