Os únicos vestígios materiais da antiga redução jesuítico-guarani de Todos os Santos do Caaró, considerados desaparecidos há décadas, foram redescobertos e estão preservados em um museu de Porto Alegre. A informação, divulgada nesta terça-feira (26) pelo grupo Grande Projeto Missões, surpreendeu pesquisadores e estudiosos da história missioneira.
Segundo Álvaro Theisen, coordenador do grupo, os artefatos foram localizados pelo irmão Celso Schneider — um dos embaixadores das celebrações dos 400 anos das Missões — e pela equipe do Museu Anchieta de Ciências Naturais, vinculado ao Colégio Anchieta.
Os materiais haviam sido encontrados originalmente em 1933 pelo padre jesuíta Luiz Gonzaga Jaeger, durante escavações arqueológicas que identificaram o local onde existiu, há quase 400 anos, a redução jesuítica de Todos os Santos do Caaró. O sítio histórico está localizado atualmente no território do município de Caibaté e é conhecido por ter sido palco do martírio dos padres Roque Gonzales e Afonso Rodrigues, em 1628.
De acordo com Álvaro Theisen, embora os artefatos tenham sido registrados pelo padre Jaeger na época das pesquisas, eles eram considerados “perdidos”. Para ele, a localização do material representa uma importante redescoberta histórica justamente no ano em que são celebrados os 400 anos das Missões. Os itens que fazem parte deste acervo de Caaró ainda estão sendo analisados e deverão ser detalhados em breve.
Segundo estudo do professor doutor Júlio Ricardo Quevedo dos Santos, a pesquisa arqueológica realizada em 1933 foi coordenada pelo padre Jaeger, então professor do Colégio Anchieta. A investigação contou ainda com a participação do padre Max Lassberg e de colonos católicos de Serro Azul, atual Cerro Largo.
Os trabalhos combinaram pesquisas documentais e relatos orais, permitindo identificar o local histórico em uma propriedade pertencente, à época, a Horácio Marques de Menezes. O Monsenhor Estanislau Volski, pároco em São Luiz Gonzaga, também teve papel importante na descoberta realizada há mais de 90 anos.
Foto: Irmão Celso Schneider/Grande Projeto Missões
Fonte: Rádio Missioneira