O Ministério dos Transportes prepara uma lista com cerca de 20 trechos de ferrovias abandonadas e de curta extensão, com média de 50 a 60 quilômetros, para oferecer à iniciativa privada por meio de chamamento público.
Segundo apuração do Jornal do Comércio, entre os trechos para carga já confirmados estão as malhas entre Cruz Alta e Santo Ângelo e de Santo Ângelo até Santa Rosa.
Trata-se de um modelo inédito de leilão, em que a administração pública oferece a malha ao mercado e cobra apenas investimentos na reconstrução e operação no trecho, sem exigir pagamentos à União (outorga).
Conforme informações obtidas pelo Jornal do Comércio, os trechos começarão a ser oferecidos no segundo semestre deste ano e terão como base o edital que está em vias de ser aprovado pelo Tribunal de Contas da União, que analisa a oferta do “corredor Minas-Rio“, uma malha já existente que faz parte hoje da Ferrovia Centro-Atlântica.
A lista de trechos é resultado de uma filtragem que o Ministério dos Transportes fez sobre um estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, em parceria com a estatal Infra SA, vinculada à pasta.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, esse estudo preliminar, que será usado para embasar o planejamento logístico e definir prioridades de investimento, concluiu que há 7 mil quilômetros de trilhos em 37 trechos de ferrovias que teriam condições de voltar a operar, desde que contassem com algum tipo de subsídio ou investimento público, uma conta que poderia chegar a custar até R$ 75 bilhões aos cofres públicos ao longo dos anos.
Entre 2023 e 2026, a malha rodoviária concedida à iniciativa privada deve saltar de cerca de 13 mil quilômetros para cerca de 25 mil quilômetros, segundo estimativas do ministério. A pasta calcula que isso deve gerar economia anual da ordem de R$ 600 milhões em despesas de manutenção, valor que poderá ser direcionado aos projetos ferroviários.
Fonte: Rádio Missioneira | Com informações do Jornal do Comércio