Os sinais de sofrimento psíquico podem aparecer ainda na infância e precisam ser observados por pais, familiares, professores e demais pessoas que fazem parte da rede de apoio das crianças e adolescentes. O alerta foi feito pela psicóloga Patrícia Mostardeiro Peixoto Picoli, professora do curso de Psicologia da URI São Luiz Gonzaga e profissional da Secretaria Municipal de Saúde, durante entrevista ao programa Cidade Alerta, da Rádio Missioneira, nesta sexta-feira (18).
Segundo Patrícia, mudanças no comportamento podem indicar que a criança ou o adolescente não está bem. Entre os sinais estão o isolamento social, a queda no rendimento escolar e a perda de interesse por atividades que antes despertavam prazer.
A psicóloga também reforçou a importância do diálogo entre pais e filhos desde os primeiros anos de vida. Para ela, é necessário ensinar as crianças a lidar com frustrações e conversar sobre momentos difíceis, mostrando que situações desafiadoras podem ser enfrentadas e superadas. Outro ponto destacado foi a importância de os pais conhecerem os amigos dos filhos e acompanharem os conteúdos consumidos por eles nas redes sociais.
Patrícia também chamou atenção para a influência das redes sociais na percepção que crianças e adolescentes desenvolvem sobre a própria vida. Segundo ela, é importante explicar que aquilo que é publicado na internet nem sempre representa a realidade vivenciada pelas pessoas.
Durante a entrevista, a psicóloga também alertou para um dos principais mitos relacionados ao suicídio: a ideia de que uma pessoa que fala sobre tirar a própria vida não teria intenção de fazê-lo. “Muito pelo contrário: quem está falando que tem desejo de acabar com a vida está indicando sim um sofrimento psíquico muito grande”, afirmou. Segundo ela, falas desse tipo devem ser levadas a sério e acolhidas, mesmo quando a pessoa não consegue expressar diretamente o que está enfrentando.
No contexto do Setembro Amarelo, Patrícia destacou ainda a necessidade de uma escuta sem julgamentos e sem comparações entre diferentes formas de sofrimento. O acolhimento, o diálogo e a atenção às mudanças de comportamento são apontados como importantes formas de apoio.
Fonte: Rádio Missioneira