Vestígios encontrados em São Luiz Gonzaga indicam que a redução jesuítico-guarani de São Luiz Gonzaga, implantada em 1687, pode ter sido estabelecida sobre um local que já abrigava um aldeamento indígena muito mais antigo. A constatação é da equipe do Museu Arqueológico de São Luiz Gonzaga (Marq).
Os trabalhos de colagem de fragmentos cerâmicos coletados durante inspeções arqueológicas no Centro Histórico continuam e podem revelar remanescentes não apenas da antiga redução jesuítico-guarani, mas também de ocupações pré-coloniais. Durante as escavações, a equipe, liderada pela arqueóloga Raquel Rech, localizou mais uma pequena tigela de beber (Cambuchí Caguabá).
Conforme os pesquisadores, a nova peça apresenta acabamento característico da cerâmica guarani conhecida como “brunida”, que consiste em polir a superfície sobre uma base dura até deixá-la lisa e brilhante.
“Esta é mais uma evidência de que a redução jesuítica de San Luis teria sido implantada em local que anteriormente já havia um aldeamento indígena muito mais antigo”, explica a equipe em publicação nas redes sociais.
Outro achado relevante ocorreu recentemente: uma pequena Yapepo — panela usada no preparo de alimentos — com características pré-coloniais e confeccionada segundo técnicas guarani anteriores ao contato com os jesuítas. A descoberta ganhou repercussão estadual, já que, conforme Raquel, este tipo de peça ainda não havia sido identificado no Rio Grande do Sul segundo a bibliografia disponível. A singularidade, somada a outros elementos técnicos, sugere que o artefato possa ter até dois mil anos de antiguidade.
Foto: Raquel Rach
Fonte: Rádio Missioneira