Em entrevista ao programa Cidade Alerta, a professora de Educação Especial Gisélia Batista de Oliveira Weber compartilhou orientações importantes para famílias e educadores sobre a identificação de atrasos e dificuldades no desenvolvimento infantil. Com 32 anos de atuação na área, Gisélia é psicopedagoga e neuropsicopedagoga, formada em Pedagogia pela URI e com especializações em Psicopedagogia, Educação Especial, Neuropsicopedagogia, Psicomotricidade, Análise do Comportamento Aplicada (ABA), além de formação em Neurociências, Educação e Desenvolvimento Infantil pela PUC-RS.
Durante a entrevista, ela destacou o papel da psicopedagogia na observação e encaminhamento de casos. “Nós, como psicopedagogas, não fazemos o diagnóstico das crianças. Realizamos uma avaliação e levantamos hipóteses. Depois disso, encaminhamos para o médico — neurologista, neuropediatra ou psiquiatra — que é quem define o diagnóstico”, explicou.
Ela ressaltou que, após o diagnóstico, o acompanhamento é feito de forma integrada entre os profissionais que atendem a criança. “Algumas crianças, depois do diagnóstico, têm indicação de acompanhamento de um monitor na escola, para auxiliar pedagogicamente. Essa decisão é feita pela equipe multidisciplinar, junto com o médico e os profissionais que acompanham o caso”, observou.
Gisélia também orientou famílias de baixa renda sobre o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “Se a família tem uma renda baixa e consegue comprovar, pode encaminhar o BPC para a criança”, destacou, lembrando que esse auxílio pode ser fundamental no custeio de tratamentos e acompanhamentos especializados.
De acordo com ela, é essencial agir de forma rápida diante dos primeiros sinais de atraso. “Quando os pais ou professores observarem qualquer dificuldade — seja na fala, na aprendizagem, no equilíbrio ou no comportamento — não devem esperar. Quanto antes for iniciado o acompanhamento, melhor será o desenvolvimento e o prognóstico da criança”, alertou.
A educadora reforçou que as dificuldades não aparecem de repente. “As crianças não demonstram esses sinais de um dia para o outro. Desde o início do desenvolvimento, elas já apresentam indicativos — atraso na fala, dificuldade para caminhar ou manter o equilíbrio. Muitas vezes, a família só percebe quando a criança chega à escola e enfrenta dificuldades na leitura, escrita ou matemática”, explicou.
Encerrando a entrevista, Gisélia enfatizou que a observação atenta e o trabalho conjunto entre família, escola e profissionais especializados são fundamentais. “A intervenção precoce é sempre o melhor caminho. Identificar cedo, buscar ajuda e agir com orientação técnica fazem toda a diferença para o futuro da criança”, concluiu.
Fonte: Rádio Missioneira