Atrás das grades da Penitenciária Estadual de São Luiz
Gonzaga, os dias podem ser longos. A rotina inclui as refeições e banhos
rápidos de sol, além das aulas para aqueles que optaram por estudar no
presídio.
Lá, vivem 12 mulheres que cumprem penas ou aguardam sentença
por seus crimes. Atividades que fogem da rotina carcerária são marcantes na
vida das presas.
Ontem, o Dia Internacional da Mulher, foi um desses dias. Quando
a reportagem da Rádio Missioneira chegou ao presídio pela manhã, a convite da
professora Andréia Stragliotto, elas estavam maquiadas e com penteados nos
cabelos. O clima era de festa e descontração.
Nas mesas, estavam espelhos, esmaltes de diferentes cores,
sombras coloridas, batons e lápis. Elas estavam felizes e se sentindo
especiais. “Muitas estavam tristes antes, meio depressivas, isso nos deu um
ânimo”, relatou uma das presas.
Presa por tráfico de drogas há nove meses, a jovem de 27 anos estava
com uma trança nos longos cabelos pretos. “Ficamos muito felizes e nos sentindo
especiais”, comentou a apenada.
A escola que faz a
diferença
A iniciativa foi das professoras do Neeja Promotor Jorge
Vicente Pacheco, instalado dentro da penitenciária. “Sabemos que toda mulher merece atenção e respeito”, destacou Andréia. “Elas receberam nosso convite com muito
entusiasmo”, ressaltou.
A iniciativa foi inédita. “Comemoramos o nosso dia junto com
elas, já que passamos todos os dias com elas, nossas alunas”, complementou
Andreia.
O Neeja possui 58 alunos, divididos em três turmas pela manhã
e três turmas à tarde. Muitos deles chegam à escola sem saber ler ou escrever.
“Em alguns casos temos que fazer toda a alfabetização deles, desde o início, é
um trabalho bastante difícil, mas que gostamos muito”, explicou a professora.
Ela também salienta a diferença de comportamento dos alunos.
“Eles são sempre muito respeitosos, mas percebemos que com o passar das aulas,
o comportamento melhora ainda mais”, destacou.
Uma das jovens presas comenta a diferença que as aulas fazem
em sua vida. “Cheguei aqui mal sabendo ler, agora estou estudando para ter
condição de arrumar um emprego quando sair daqui”, disse com olhar de esperança.