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São Luiz Gonzaga
14 de novembro de 2018
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Processo para beatificação e canonização de Sepé Tiarajú terá início em 2019

14 de novembro de 2018 l 15:12
Materia atualizada: 14/11/2018 l 15:12

Guarani nascido em São Luiz Gonzaga poderá ser o primeiro índio brasileiro considerado santo





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A Congregação das Causas dos Santos no Vaticano, recentemente se manifestou em relação à solicitação da Diocese de Bagé para o início do processo de santificação do índio missioneiro Sepé Tiarajú. Já reconhecido como herói nacional, o guarani nascido em São Luiz Gonzaga, poderá ser o primeiro índio brasileiro considerado santo pela Igreja Católica.

Segundo o padre Alex José Kloppenburg, o Vaticano acolheu o pedido, e ele passa ser chamado de Servo de Deus. A partir deste comunicado terá início os trabalhos de postulação.

Kloppenburg diz que a resposta afirmativa é como “uma porta que se abriu e que agora é preciso entrar”. No entanto, a igreja não trabalha com prazos. Ele afirma que nestas situações é feito um trabalho com muito cuidado, para que sejam reunidos no processo todos os elementos de reconhecimento.

Outro fator é que a Diocese de Bagé está sem um bispo titular até o dia 16 de dezembro. Nesta data o Frei capuchinho Cleonir Paulo Dalbosco tomará posse. Ele projeta que os encaminhamentos práticos deverão ocorrer em 2019.

Serão reunidos todos os elementos para a postulação, como documentos e testemunhos históricos. Padre Alex tem uma boa expectativa em relação a esta fase. O religioso lembrou que muitos santos já reconhecidos pela igreja tinham bem menos testemunhos e elementos comprobatórios que Sepé.

Ele considera importante a presença do Papa Francisco no Vaticano. Embora a canonização não seja feita pelo pontífice, mas pela Congregação das Causas dos Santos, padre Alex acredita que o papa será um aliado por conhecer a história de Sepé, por ser jesuíta e latino americano. “Ele certamente auxiliará muito” afirmou, mostrando-se confiante.

Questionamentos

Após a autorização para o início de santificação de Sepé Tiarajú, nos sites de notícias surgiram questionamentos em relação à condição de guerreiro do missioneiro que esteve à frente da Guerra Guaranítica (1753-1756). ”Se olharmos a história dos santos da igreja há outros que foram guerreiros, Joana D’arc hoje padroeira da França, São Luiz da França que dá nome à capital do Maranhão foi um rei guerreiro e morreu nas Cruzadas lutando pela conquista da Terra Santa, além deles São Jorge, São Miguel Arcanjo e muitos outros”, recordou padre Alex.

O religioso disse que não se busca reconhecer o santo guerreiro, mas sim o santo da paz. “Devemos perceber a história do servo de Deus José Tiaraju, que após a morte de seus pais na redução de São Luiz Gonzaga, foi salvo miraculosamente e na redução de São Miguel teve formação religiosa e cultural”, contou. “Ele era poliglota, dominava o latim, o espanhol e o guarani, foi um homem de paz, uma liderança e quando ocorreu o Tratado de Madri (1750) foi escolhido prefeito de São Miguel”, ressaltou.

Conforme Kloppenburg, Sepé usou a diplomacia em busca de resolver conflitos gerados pelo tratado. “Junto com os demais prefeitos das sete reduções foram até o governador de Buenos Aires que representava a Coroa Espanhola com o objetivo de realizar tratativas de paz, tudo foi feito para evitar o conflito e a luta foi consequência da defesa da vida e do patrimônio do povo guarani e do povo das reduções”, destacou.

Para o Alex, Sepé fez de tudo pra buscar a paz e carregava suas devoções e seus santos. “Orava pela paz e como em outros conflitos entre europeus e indígenas na America Latina os guaranis foram vítimas e Tiarajú transformou-se em mártir pela causa da justiça e da paz”, finalizou.

Como o herói missioneiro foi o prefeito da redução de São Miguel Arcanjo, na condição de santo ele poderá ser considerado o padroeiro dos prefeitos do Rio Grande do Sul. Nas Missões, Sepé Tiarajú recebe várias homenagens, e para alguns, já é reconhecida sua santidade. Em São Luiz Gonzaga a prefeitura, desde 2016, se chama “Paço Sepé Tiarajú”, com uma estátua do líder indígena em frente ao prédio.

Autor: Rogério Morais

Fonte: Rádio Missioneira


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