Há alguns meses, a Praça da Matriz de São Luiz Gonzaga, um
dos principais pontos da cidade, é morada de viciados em álcool e drogas.
Várias pessoas ficam ali de dia e à noite, bebendo, fumando e pedindo dinheiro
ou doações a quem passa pelo local. Brigas entre o grupo e ações de vandalismo,
como na casinha do Papai Noel, também foram registradas.
A população reclama que não se sente segura em andar na
praça. Em enquete realizada pela reportagem da Rádio Missioneira, são-luizenses
lamentaram a situação. Já foram registrados roubos e furtos, principalmente à
noite, além de situações de assédio à mulheres, que ouvem piadas e palavras de
baixo calão. Uma das entrevistadas contou que não cruza mais na parte interna
do local, por ter medo dos homens que ficam por ali.
Com espaço arborizado, sombras abundantes, parquinho e
bancos, a praça já foi ideal para passeios em família. Hoje muitos preferem não
frequentar mais. “Tu vai com a família para se divertir na praça, e os caras
tão lá, caindo pelos cantos, urinando e mostrando partes íntimas para quem
passa. Como posso levar meus filhos lá? E o desrespeito com homens e mulheres que
passam?”, relata indignado o proprietário de uma lavagem de carros, que
frequentava a praça.
Problema além de segurança
A situação, no entanto, reflete um problema social, e não
necessariamente de segurança, uma vez que sempre houve policiamento no local,
reforçado nesta época do ano. “É um problema de saúde pública e social, essas
pessoas precisam de tratamento”, avalia o capitão Eduardo Brum, subcomandante
do 14° BPM.
Os policiais realizam abordagens rotineiras e apreendem
objetos usados, como facas e facões. “Quando há alguma situação criminal sempre
intervimos, mas quanto à permanência deles ali, não podemos fazer nada”,
argumenta Brum, sustentando que eles são cidadãos com direito de ir e vir.
Situação preocupa a
Secretaria de Ação Social
Para o secretário de ação social de São Luiz Gonzaga, Paulo
Fraga, a situação é preocupante. O titular da pasta concorda que se trata de
problema social. Ele tem conhecimento dos grupos que ali se reúnem, onde
consomem álcool e drogas.
Fraga destacou que é preciso promover ações eficazes, o que
no entanto é difícil devido a diversos fatores. Paulo afirmou que será necessário
desenvolver um trabalho em rede com diversas instituições e entidades,
principalmente da área da saúde e segurança, para reverter o quadro.
O secretário relatou que também frequenta o local e tenta
dialogar com os grupos para ofertar os trabalhos desenvolvidos pela pasta. “Tento conhecer a realidade deles. Eles não são moradores de rua, mas no
entanto, estão em situação de rua. Eles tem residência, mas devido ao uso de
álcool, tem problemas no núcleo familiar e acabam indo para rua. Acham que lá
está a família deles”, explicou.
Solução conjunta
Fraga declarou que irá buscar reunir as entidades e buscar
uma solução conjunta. Uma reunião será marcada para discutir o assunto em
breve. “É preciso uma ação em rede. Sozinhos, não temos estrutura para lidar
com isso de forma eficaz”, pontuou. Outro ponto destacado pelo secretário, é de
que todos têm o direito de ir e vir, e que ninguém pode ser retirado da rua a
força sem a documentação necessária e com justificativas sólidas.
Com isso, reforçou que as pessoas que são abordadas,
constrangidas e que passam por situação de risco com os respectivos grupos,
devem realizar um boletim de ocorrência. Desse modo, conforme o secretário,
outras ações podem ser feitas. Além disso, destacou que as pessoas que causam
os transtornos supracitados, sabem dos seus direitos, e que utilizam-se deles. “Precisamos agir sempre de forma legal, eles têm direitos e, se tomarmos alguma
decisão equivocada e não bem
justificada, podemos sofrer penalizações legais”, finalizou Fraga.
CAPS AD oferece
tratamento
Muitas das pessoas que ali estão já passaram por tratamento
para a dependência química, no entanto desistiram e voltaram para o vício.
Segundo a terapeuta Letícia Grisólia, do Centro de Atenção Psicosocial Álcool e
Drogas (Caps AD), a situação é complexa. “Muitos deles foram abandonados pela família,
que desistiram deles após tentativas de largar o vício”, argumenta a
profissional. Segundo Letícia, a reincidência é muito alta. A equipe que
acompanha os pacientes não pode mantê-los internados de forma compulsória.
O tratamento é oferecido de forma gratuita, com
acompanhamento feito por vários profissionais. “É preciso muita força de
vontade para largar um vício, e às vezes dependendo do grau de dependência é
ainda mais difícil”, explica a terapeuta. Ela informou que tem conhecimento da
situação na praça, no entanto o CAPS AD não possui uma equipe que possa fazer o
resgate nas ruas, serviço realizado somente em grandes cidades.
A profissional salienta que o centro está sempre de portas
abertas para as pessoas que precisam de ajuda. Fora do horário comercial, as
emergências podem ser atendidas diretamente no hospital.