Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor tem avançado no combate ao carrapato bovino no Rio Grande do Sul por meio do controle biológico aplicado nas pastagens. A iniciativa surge diante do aumento da resistência do parasita aos produtos químicos tradicionais.
O estudo utiliza fungos e bactérias presentes no solo para combater os carrapatos ainda no ambiente, antes que retornem aos animais. Segundo os pesquisadores, a proposta busca reduzir a infestação sem causar danos ao rebanho ou às pessoas.
Especialistas alertam que as mudanças climáticas e os invernos menos rigorosos têm favorecido a proliferação do carrapato nas propriedades gaúchas. Além disso, o uso repetido de carrapaticidas contribui para o aumento da resistência do parasita.
Conforme a coordenadora de Defesa Sanitária Animal da Emater/RS-Ascar, Thaís Michel, praticamente todas as propriedades já apresentam algum grau de resistência aos produtos utilizados no combate ao carrapato. Ela destaca que aplicações frequentes e o uso contínuo do mesmo princípio ativo acabam fortalecendo os parasitas resistentes.
Outro fator apontado pelos especialistas é o ciclo reprodutivo do carrapato bovino. Cada fêmea pode colocar até três mil ovos no solo, aumentando rapidamente a infestação nas pastagens. Grande parte do desenvolvimento do parasita ocorre fora do animal, o que dificulta o controle apenas com tratamentos no rebanho.
Os primeiros resultados obtidos nas áreas acompanhadas pelo Instituto são considerados promissores, com redução na quantidade de carrapatos nas pastagens tratadas. A expectativa é que a tecnologia possa chegar aos produtores rurais nos próximos anos, por meio de empresas do setor de bioinsumos.
Fonte: Rádio Missioneira | Com informações da Assessoria de Imprensa da Emater