Disse
Fernando Pessoa, em um de seus poemas, que tudo vale a pena se a alma não é
pequena, já Renato Russo afirma que quem acredita sempre alcança. E o mundo nos
prova isso dia a dia, ou melhor, as pessoas de almas sensíveis e gigantes, que
jamais desistem daquilo que os fazem queimarem por dentro e, que independente
dos obstáculos, os fazem superar tudo e os motivam a correr atrás daquilo que
acreditam merecer.
O
jovem Jesiel Rutsatz Valeski, de 18 anos, é uma dessas pessoas. Nesse ano ele
iniciou uma nova e grandiosa caminhada, que para quem já “sente” o mundo
diferente de todos, faz parecer um caminho fácil a percorrer, apesar de não
ser. Deficiente visual desde o nascimento, Jesiel contornou as dificuldades que
encontrou até aqui, e agora ingressou no curso de Jornalismo na Universidade
Regional do Noroeste do Estado – Unijuí. Para isso, no vestibular, ele ficou
entre os primeiros selecionados de 45 concorrentes as vagas.
Radialista era a brincadeira preferida
De
acordo com ele, sempre escutou rádio, o que o despertou o gosto pela profissão.
Com oito anos de idade, Jesiel improvisava no seu quarto, pequenos estúdios e
programas, onde brincava e idealizava ser locutor. Foi nessa época também, que
foi convidado para participar em um programa. “Uma me vez me convidaram para
participar de um programa de rádio, em Porto Xavier, e ali,
tive certeza do que queria. As pessoas diziam que eu tinha a voz bonita, com
timbre de locutor” comentou.
Atualmente
Jesiel reside em São Luiz Gonzaga, e desloca-se para o campus da faculdade em
Ijuí, três noites por semana, acompanhado pelos pais, Lanir Terezinha Rutsatz e
Vilmar Valeski. Na primeira semana de aula, tudo foi descoberta para ele.
“Estou conhecendo as pessoas, aprendendo como funcionam as aulas, descobrindo o
campus. É um processo de adaptação, do qual estou gostando muito, me sinto
muito bem acolhido, e todos são sempre muito cordiais”, afirmou.
Aprendizado mútuo
Já
no campus da faculdade, Jesiel é acompanhado durante toda a noite pela
assessora educacional, guia e mais nova amiga, Joceane Fontinelli. “Estou
aprendendo com ele, o acompanho toda noite pela compus da universidade e nas
aulas. Sou formada em pedagogia, mas meu maior aprendizado está sendo agora”,
disse ela. Para ela, o maior desafio é adaptar tudo para que ele consiga sentir-se
inclusivo e autônomo para desenvolver seus estudos.
O coordenador do curso de Jornalismo da Unijuí, Márcio da Silva Granez, destaca que
nesse processo de adaptação, o maior desafio é estruturar e adaptar a
metodologia para as novas necessidades apresentadas pelo aluno, evidenciando o
trato humano, ampliando as orientações junto ao corpo docente do curso de
comunicação e da universidade como um todo.
Os
processos de adaptação das aulas para melhor receber Jesiel estão sendo feitas
pelos professores que estão em contato com ele. Já os professores, bem como a
coordenação do curso, vêm sendo assessorados pelo Núcleo de Educação Inclusiva
– Nei, que presta as informações e orientações necessárias para trabalhar com o
aluno.
Exemplo
Ainda
de acordo com Márcio, algo que deve ser evidenciado é a força de vontade e
superação de Jesiel. “Chegar aonde ele chegou é motivador. Nós quanto universidade,
sentimo-nos felizes em ter aceitado o desafio, e estarmos conseguindo
superá-lo, auxiliando e dando todo o suporte necessário para que ele consiga
atingir seu objetivo”, destacou.
E
é ai que a poesia cruza a história do jovem estudante, pois ele é uma dessas
pessoas sensíveis e de alma gigante, que provam todos os dias que os sonhos
e aquilo que nos parecem inalcançável, é sim, possível. E apesar de seus olhos
não verem, as mãos irão descrever o mundo.