O combate ao abigeato, um dos crimes mais praticados na
região das Missões, continua. Pouco mais de um após a operação Pedregulho, que desarticulou
quadrilha da Serra que atuava nas Missões, agora a Polícia Civil descobriu
esquema com a Fronteira Oeste. Na manhã de hoje (27), 11 pessoas foram presas
em cinco cidades na Operação Origami.
Detalhes da ação foram informados em coletiva de imprensa com
a delegada Tânea Bratz, que comandou as investigações e com o chefe da Polícia
Civil gaúcha, delegado Emerson Wendt.
Segundo Emerson, o enfrentamento ao abigeato é constante. “Realizamos
força tarefa em várias regiões, mas aqui, por ter muito gado, o esforço é maior”,
explica. “Percebemos nos últimos anos que o crime de abigeato é sem fronteiras,
com ligações entre várias cidades e regiões”, destacou o chefe. No dia 15 de julho, a operação Abate prendeu quadrilha que atuava na região de Cerro Largo.
Na operação, foram presos de forma preventiva 11 pessoas:
quatro em Jaguari, duas em São Nicolau, duas em Pirapó, um indivíduo em Quaraí
e dois em Garruchos. Também foram apreendidas armas, munição, documentos e
carnes.
Tudo começou em
Garruchos
Conforme Tânea, a investigação iniciou a partir do furto de
44 cabeças de gado no interior de Garruchos. Com apoio da Supervisão Regional
de Agricultura, comandada por Alonso Duarte, o gado foi recuperado em São
Nicolau e Pirapó.
A supervisão também forneceu informações sobre o rebanho, que
existiam no papel, mas não estavam no campo. “A partir disso, bem como de
denúncias anônimas, descobrimos o esquema e quem estava envolvido”, explicou
Tânea. O gado furtado era “esquentado” com notas legalizadas. “Quem faz isso pode
achar que é pouca coisa, mas é um crime de falsidade ideológica muito grave”,
argumenta a delegada.
As investigações não
vão parar
Tânea também destacou na entrevista que o trabalho de combate
ao abigeato continua. “Vamos empenhar nossos esforços sempre para combater esse
crime, que aqui é considerado normal devido à pecuária”, cita.
Ações periódicas, como a fiscalização em estabelecimentos comerciais
na região também fazem parte do trabalho de combate. A cada operação, os policiais
apreendem toneladas de produtos de origem animal sem procedência.
Interlocução com a
Secretaria de Agricultura
Wendt destacou na coletiva que está em estudo uma articulação
com a Secretaria de Agricultura, para tornar a GTA – Guia de Trânsito Animal –
obrigatória, mesmo em casos onde há a marca municipal.
Também foi apresentado ao delegado um aplicativo para
celulares que possa ser utilizado com esse fim. “Vou levar para a nossa equipe
técnica especializada para ver da possibilidade de aplicação”, comentou.