A bióloga e analista ambiental, Denise Scherer participou do
encontro realizado neste mês para dar início à elaboração de um estudo que visa
a revisão do Plano de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório Artificial
(PACUERA) do rio Ijuí. O encontro foi promovido por uma comissão elaborada pelo
vereador José Antônio Flach Werle (Piti).
Em entrevista à Rádio Missioneira, a especialista falou sobre o plano. Atualmente
ela não integra a comissão e expôs o ponto de vista somente profissional. Conforme ela, ao participar, foi possível
elucidar as dúvidas e discorrer a respeito do assunto.
O caso
Ela ressaltou que quem possui a outorga do lago são aqueles
que têm a concessão da usina. Disse que por mais que exista um proprietário no
entorno, os mesmo não podem fazer instalações sem antes ver o que foi aprovado
no plano de aproveitamento do reservatório. “Se você é dono de uma terra, não
deixaria alguém, por mais que seja na água, instalar um empreendimento naquele
local”, exemplificou. Ressaltou que mesmo com os corredores de acessos, os
moradores do entorno não podem fazer instalações, ou até mesmo modificar algo
na área.
Para atender as reivindicações dos moradores, Denise afirmou
que é preciso haver estudos, verificação de parte técnica, licenciamento e articulações
com os donos da usina. A partir daí os tramites legais devem ser
elaborados.
Elaboração do Plano
A ambientalista destacou que quando o plano foi elaborado a
partir de audiências públicas promovidas pela Eletrosul junto às comunidades
atingidas pela hidrelétrica, no período em que a mesmo foi instalada, houve
pouca participação dos moradores. Assim, os interesses de empreendimentos e de
utilização do entorno foi resumido a algumas propriedades. Com manifestações e
depoimentos da época, os biólogos que
foram contratados pela Eletrosul
elaboraram o plano.
A comissão
Ela defendeu que atualmente o público do entorno do lago é
totalmente diferente de quando o plano foi formatado. Denise ressaltou que a
comissão é importante e, que as pessoas que querem alterações, devem
reivindicar através da mesma. Declarou que a comitiva pode mobilizar o poder público e levar os
interesses dos moradores até os donos
da outorga, e assim conseguir resultados positivos.
O que os moradores
querem?
Entre as reivindicações feitas pelos moradores está liberação
ambiental para construção de píers, trapiches e delimitação de áreas de banho,
de atividades náuticas e de reservatório de peixes.
A respeito das pessoas que ainda invadem os locais que fazem
parte do pacto, enfatizou que estas devem ter consciência de que não podem
fazer isso. Para evitar danos há fiscalização da usina e também da Brigada
Ambiental de São Luiz Gonzaga.
Praias
Conforme Denise, todos os municípios atingidos pela
instalação da hidrelétrica receberam uma área para construção de um espaço de
lazer. Destacou que o único que investe na “prainha” é o município de Roque
Gonzales. São Luiz Gonzaga também possui uma área. Para ela, isso pode servir par potencializar
o turismo e movimentar economia da região.