A partida de Pedro Ortaça, aos 83 anos, na última sexta-feira (29), encerra uma das mais importantes trajetórias da música regional gaúcha. Ao longo de mais de seis décadas dedicadas à arte, o Tronco Missioneiro construiu um legado que ultrapassa dezenas de canções autorais, muitas delas criadas ao lado de parceiros que ajudaram a difundir a cultura das Missões para diferentes regiões do Brasil e da América do Sul.
Segundo a pesquisadora Clarissa Ferreira, o cancioneiro de Ortaça reúne mais de 120 composições que retratam a história, a memória e a identidade do povo missioneiro. Por meio de sua obra, o artista transformou temas como a cultura, a terra, a religiosidade e as lutas populares em canções que atravessaram gerações.
Sua discografia começou em 1977 com o álbum “Mensagem dos Sete Povos”, gravado ao lado de Reduzino Malaquias e Reinaldo Malaquias. A partir daí, vieram trabalhos que se tornaram referências da música missioneira, como “Chão Colorado”, “Missões, Guitarra e Herança”, “Troncos Missioneiros”, “Timbre de Galo”, “De Guerreiro a Payador”, “Grito da Terra”, “Galo Missioneiro” e “Pátria Colorada”.
Sempre aberto ao diálogo entre diferentes expressões culturais, Ortaça construiu sua trajetória por meio de importantes parcerias artísticas. Conforme Clarissa, em 2019, lançou “Tertúlia Visceral”, ao lado de Bule Bule, um dos maiores nomes da cultura popular nordestina. O trabalho aproximou o universo missioneiro do repente, do samba de roda e da literatura de cordel, reafirmando o caráter universal de sua música.
Em 2009, também inovou ao lançar o DVD “Pedro Ortaça”, considerado um dos primeiros produzidos em alta definição no Rio Grande do Sul.
Para Clarissa Ferreira, a importância de Pedro Ortaça vai além da música. “De Mensagem dos Sete Povos a Tertúlia Visceral, sua trajetória abriu caminhos entre o Rio Grande do Sul, o Prata e outras culturas populares do Brasil”, escreveu a pesquisadora.
Ela resume o legado do artista em uma frase que ajuda a dimensionar sua contribuição: Pedro Ortaça “ajudou a transformar as Missões em canção, denúncia, identidade e resistência”.
Foto: Edegar Cavalheiro
Fonte: Rádio Missioneira