Em uma sexta-feira gelada, há exatos 60 anos, no dia 20 de agosto de 1965, a Região das Missões viveu um dos fenômenos climáticos mais marcantes de sua história. Uma intensa queda de neve cobriu praticamente todos os municípios da região, transformando a paisagem de Cerro Largo, Guarani das Missões, Roque Gonzales, Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga e tantas outras localidades. Ao longo desta semana, a Rádio Missioneira irá relembrar como a imprensa da época retratou aquele dia, que segue vivo na memória de quem presenciou.
Em sua edição dois dias após o fenômeno, o jornal são-luizense A Notícia trouxe detalhes do ocorrido.
“Na manhã da última sexta-feira, para espanto e encantamento das populações de Cruz Alta, Ijuí, Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga, depois de 23 anos, houve queda de flocos de gelo, pintando de branco a paisagem verde dos nossos pampas”, escreveu o jornal em sua matéria de capa.
De acordo com registros, cidades das Missões chegaram a acumular mais de 20 centímetros de neve, conforme publicou o A Notícia. O episódio também é retratado no livro “O Flagelo Branco de 1965”, de Cláudio Júnior Damin, que reúne recortes de jornais da época.
“Nas Missões, a intensidade da neve foi surpreendente. Das sete da manhã até as duas e meia da tarde de sexta-feira nevou como nunca”, relata o Jornal Diário de Notícias.
O frio intenso daquele dia foi destaque. “Ao meio-dia de sexta-feira, acusava em Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga temperaturas um pouco abaixo de zero”, registrou o Jornal A Notícia.
As ruas se transformaram em palco de encanto e diversão. “Adultos e crianças brincavam nas ruas, jogando neve um no outro e batiam fotografias”, completou o jornal são-luizense.
Pelo Rio Grande do Sul, centenas de municípios gaúchos também registraram o fenômeno, entre eles Santa Rosa, Ijuí e Santiago.
No entanto, a beleza da neve contrastava com a tragédia em outras regiões do Estado. Enquanto as Missões celebravam o fenômeno, o Rio Grande do Sul enfrentava dias de calamidade em razão das chuvas intensas. “Rio Uruguai inunda cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, destacou o Jornal Zero Hora.
Sessenta anos depois, a data segue marcada pela dualidade entre a alegria de uma paisagem rara e o drama vivido por centenas de famílias gaúchas.




Fonte: Rádio Missioneira