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Há 100 anos, iniciavam os trabalhos de preservação das Ruínas de São Miguel

Se hoje é possível contemplar a imponência da antiga igreja da redução de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, muito se deve a um trabalho de intervenção iniciado há exatos 100 anos, em 1925. Naquele período, a torre da igreja apresentava rachaduras significativas e corria o risco iminente de desabar.

Um dos principais estudos sobre esse marco histórico é a dissertação de mestrado de Vladimir Fernando Stello, defendida em 2005 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), intitulada “Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo: avaliação conceitual das intervenções 1925-1927 e 1938-1940”. A pesquisa detalha o abandono que marcou o sítio após a desocupação do povoado em 1828 e mostra que, até a década de 1920, a degradação avançava tanto pela ação do tempo quanto pela retirada de materiais da antiga construção para o uso em novas obras.

De acordo com Stello, as primeiras obras de conservação das ruínas tiveram início na décado de 1920, conduzidas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Diretoria de Terras da Secretaria de Estado e Obras Públicas. Posteriormente, a partir de 1938, o trabalho passou a ser executado pelo Governo Federal, através do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, garantindo novas intervenções de reforço estrutural e proteção.

Entre 1925 e 1927, sob a responsabilidade técnica do engenheiro João de Abreu Dahne, foram realizadas as primeiras obras sistemáticas. Segundo registros da época, houve estabilização da fachada principal, instalação de trilhos de ferro em portas, janelas e escadas, além da reconstrução de trechos de alvenaria comprometidos. Internamente, a igreja recebeu escoramento de arcos e reforços metálicos, enquanto a torre foi amarrada com trilhos e vergalhões de aço para garantir sua estabilização e evitar o colapso.

Conforme a pesquisa de Stello, a relevância dessas ações foi destacada pelo arquiteto Aloísio Magalhães em depoimento à Câmara dos Deputados, em 1981, quando afirmou que a intervenção conduzida no período foi de extrema importância para a preservação do monumento. Outro ponto de destaque foi a utilização de mão de obra local, o que contribuiu para qualificar trabalhadores da região e manter o respeito ao patrimônio.

Graças a essas iniciativas, as Ruínas de São Miguel resistiram ao tempo e puderam ser reconhecidas, em 1983, como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. Desde 1982, o sítio conta com um trabalho permanente de salvaguarda, consolidando-se como um dos mais importantes legados da história jesuítico-guarani.

 

Fotos: acervo do Iphan

Fonte: Rádio Missioneira (Proibida a reprodução deste conteúdo sem citar a fonte)

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