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Feminicídio: Estado registra 106 mortes em 2022, com dois casos nas Missões

Durante o ano de 2022, 106 mortes por feminicídio foram registrados em 69 municípios do Rio Grande do Sul. Na região das Missões, um caso aconteceu em Porto Xavier e outro em Cerro Largo. No contexto estadual, houve um aumento de 10,4% nesse tipo de crime ao ser feita uma comparação com o ano anterior. No intuito de reduzir essa taxa, uma das principais apostas foi a criação de mais nove Salas das Margaridas durante 2022.

Em todo o Estado, já são 59 espaços para acolhimento de vítimas de violência doméstica, familiar e de gênero por meio de um espaço amplo, reservado e equipado com o melhor recurso disponível, com policiais capacitados para o atendimento à vítima. A Sala das Margaridas é hoje uma das principais políticas públicas da instituição pelo fim da violência contra a mulher.

Os dados  do Mapa do Feminicídio são um compilado do Observatório de Violência Doméstica da Secretaria Estadual da Segurança Pública e do Anuário Brasileiro da Segurança Pública feito pela Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam) do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV).

O levantamento aponta também que mais de 80% das vítimas de feminicídio não possuíam medidas protetivas vigentes na data do crime. Metade não possuía nem registro de ocorrência policial anterior ao fato. Apesar de apresentar um aumento no número de feminicídios em comparação ao ano anterior, positivamente 2022 foi o período com menos mortes de mulheres em decorrência de outros crimes – quando a vítima não morreu por ser mulher. Foram 154 registros, o menor desde 2018.

Perfil
Com idades variadas, a maioria das vítimas tem entre 18 e 24 anos ou está na faixa dos 40 a 44. São solteiras (65,1%), brancas (83%) e com apenas o ensino fundamental completo (52,8%). O mapa ainda revela que das 106 vítimas, 89 eram mães e 43 possuíam filhos com o próprio agressor – 3, inclusive, estavam grávidas na ocasião do crime.
Já quanto aos agressores, a maioria tem entre 25 e 29 anos ou está na faixa dos 45 a 49, solteiros (68,9%), brancos (80,2%) e com apenas o ensino fundamental completo (57,5%). A maioria, 98,1%, é de homens, sendo que 84% desses têm antecedentes policiais – 67% por violência doméstica e familiar. A situação deles varia: enquanto que 68,9% foram presos, 20,8% tiraram as próprias vidas após executarem suas vítimas.

Outros dados
Ainda segundo o Mapa da Violência 2022, em 94,2% dos casos o autor foi companheiro ou ex-companheiro da vítima e em 3,7% havia algum parentesco entre eles. Na maioria dos casos, 72,6%, a residência da vítima foi o local do crime e quase 53% deles ocorreram aos fins de semana.

Combate ao crime

Além da Sala das Margaridas, outra forma de combate a esse tipo de violência está relacionada com a Delegacia Online da Mulher (DOL). Disponível desde o mês passado, a DOL Mulher é uma página exclusiva para tratar da violência doméstica e de gênero contra a mulher, hospedada dentro do site da Delegacia Online. O serviço pode ser acessado 24 horas de qualquer tipo de dispositivo, como celulares, tablets e computadores.

Há também 22 Delegacias de Polícia Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams) espalhadas pelo Estado e que abarcam os serviços necessários para pôr fim à violência contra a mulher. São órgãos policiais que se dedicam exclusivamente à investigação e elucidação de crimes contra vítimas do sexo feminino.

Fonte: Rádio Missioneira/ PCRS

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