O Dia Internacional da Mulher é marcado por homenagens. É um dia de declarações de carinho e reconhecimento a elas. Embora, justo fosse, que todas as mulheres recebessem homenagens pelo máximo de dias das suas vidas é preciso registrar esta data especial, muito válida, pois provoca a necessária reflexão sobre o papel da mulher, seus direitos e conquistas.
Dentre estas homenagens que transcende o dia 08 de março, está a canção Mulher Missioneira da Família Guedes, que teve seu clipe lançado nas redes sociais neste Dia Internacional da Mulher. O trabalho é de Rodrigo Bauer, poeta são-borjense e do são-luizense Jorge Guedes e integra o projeto “Pra Entender Quem Canta Assim”, uma coletânea de obras em CD e DVD com lançamento previsto para abril deste ano marcando os 30 anos de carreira musical de Jorge Guedes. O contexto da canção é um profundo e perene reconhecimento à mulher.
O clipe foi gravado na catedral da redução de São Miguel das Missões com a direção e filmagem de Diego Bellocchio e está disponível na fanpage do facebook da Família Guedes.
Muitos temas já cantados haviam tratado de maneira sublime e profunda a mulher da nossa terra. No entanto, esta obra com interpretação de Anahy Guedes e da Família Guedes e participação de Glauco Fonseca Vieira nos faz refletir sobre o que representa estas guerreiras do dia a dia com a sua força, presença através do tempo, no que está escrito no solo sagrado das missões.
É uma obra que desperta ainda mais os admiradores do talento desta família e os profundos apreciadores da arte regionalista. Ressalta um misto de orgulho, emoção e admiração pela interpretação, a obra com certeza a marca na história da música missioneira.
Pelas notas desta canção, seu conteúdo e interpretação forte, flutuamos na ternura, no seio e semente, no amor e na esperança. Mas principalmente na força e coragem de quem segue adiante num mundo que, independentemente da época em que viveu ou que viva, precisou e precisa “matar um leão por dia”. O poema nos faz pensar também nas angustias, incertezas, esperas e solidão nos ermos desta terra, especialmente quando os homens partiam sem a garantia da volta. Isto mesmo, esta canção nos faz viver um tempo que não vivemos. As canções, assim como os livros e poemas têm o poder de desafiar o tempo e nos remeter a uma viagem onde só mesmo a alma pode percorrer.
A história do nosso Estado é carregada de tantos episódios que se revivem por conta do nosso orgulho e tradição forte. Reconhecemos e reverenciamos alguns dos nossos heróis mais evidentes, poucos destes são mulheres.
A poesia de Rodrigo Bauer se inspira numa figura de importância ímpar, tão ou mais significativa que os vultos que dão nome a locais públicos ou continuam a mirar o horizonte através de bustos de bronze pelas praças do Rio Grande afora. A mulher, anônima e forte, aquela que sem destaque nos livros tem um papel de ser a própria origem de tudo, é energia e da luz a própria vida.
É uma emocionante obra em homenagem a todas as mulheres e a canção as descreve:
…Colo e ombro do gaúcho
Muito além de companheira
Sou essência e resistência
Desta história missioneira…
Nestas horas o orgulho missioneiro aflora.
Confira o clipe e a letra de Mulher Missioneira:
https://www.facebook.com/802753976412680/posts/2248669291821134?sfns=mo
Sou a cruz de quatro braços
Velha madeira ancestral
A melodia de bronze
Do sino da catedral
Poesia colorida
Que há na flor de corticeira
Sou a fibra feminina
Desta raça missioneira
Sou a fibra feminina
Desta raça missioneira
Alma bugra destes tempos
Sou herdeira deste chão
Ventre forte, mãe querência
Liberdade e coração
Colo e ombro do gaúcho
Muito além de companheira
Sou essência e resistência
Desta história missioneira
Sou essência e resistência
Desta história missioneira
Sou a vida que renasce dia a dia mais guerreira
A coragem e a esperança desta gente missioneira
A coragem e a esperança desta gente missioneira
A coragem e a esperança desta gente missioneira
Sou a terra mais vermelha
Sangue, barro, água de rio
Sou a fé do jesuíta
Que jamais se consumiu
Sou a gênese do pampa
Força ávida e campeira
Energia tão eterna
Quanto as pedras missioneiras
Energia tão eterna
Quanto as pedras missioneiras
A semente que germina
Bem no sul deste país
Que guapeia sol e geada
E aprofunda sua raiz
Sou a própria geografia
A paisagem, a fronteira
Sou a messe permanente
Desta terra missioneira
Por: Rogério Morais
Fonte: Rádio Missioneira