As escavações realizadas no sítio arqueológico do Chafariz Missioneiro, em São Nicolau, começam a revelar importantes vestígios da antiga estrutura de abastecimento de água da redução jesuítico-guarani. Os trabalhos fazem parte do projeto de revitalização da fonte histórica e integram as comemorações dos 400 anos das Missões.
Em conversa com a Rádio Missioneira nesta quinta-feira (11), a arqueóloga Juliana Soares detalhou algumas das descobertas já identificadas pela equipe responsável pelas escavações. Segundo ela, foram encontrados tanques de decantação associados às nascentes de água, um tanque de armazenamento construído com blocos talhados de arenito, além de canais de condução de água e calçamentos de pedra. Outro achado que chamou a atenção dos pesquisadores foi uma laje de arenito com grafismos, localizada na lateral de uma das estruturas.
“Curiosamente, essa laje estava no segundo nível de pedras, como se tivesse sido cuidadosamente ocultada por quem a colocou ali”, relatou a arqueóloga.
Juliana explicou que a pesquisa tem enfrentado desafios devido às intervenções realizadas no local ao longo das últimas décadas. Conforme ela, estruturas construídas na segunda metade do século XX foram instaladas sobre os remanescentes missioneiros, além da presença de grandes volumes de terra e camadas de brita.
As estruturas, conforme detalhou Juliana, aparecem entre 1,50 metro e 1,90 metro de profundidade. Neste momento, a equipe trabalha na limpeza e documentação dos elementos já identificados. A etapa de abertura das áreas de escavação está praticamente concluída, mas novas descobertas ainda podem surgir.
Um dos aspectos que mais surpreendeu os pesquisadores foi a eficiência do sistema construído pelos jesuítas e indígenas há séculos. “O que chama atenção é que o sistema de drenagem missioneiro continua ativo e serviu à cidade ao longo de todos esses anos”, destacou Juliana.
O projeto é executado pela empresa Cume Projetos, sob coordenação de Juliana e participação do arquiteto Vagner Perondi e do arqueólogo Marcus Vinicius Beber. A iniciativa prevê a exposição dos remanescentes da antiga estrutura.
Os trabalhos de campo tiveram início em abril, após a aprovação do projeto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão responsável pela proteção do sítio arqueológico.

Fotos: divulgação/Juliana Soares
Fonte: Rádio Missioneira