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Empresário da gastronomia residente em Passo Fundo, são-luizense conta como remodelou empreendimento na pandemia

Localizado em Passo Fundo, uma das cidades gaúchas que mais sofreu os impactos econômicos, sociais e sanitários do novo Coronavírus, o café “Ristretto Grãos e Gastronomia”, segue em funcionamento. Especializada em grãos especiais e alta gastronomia, a empresa, que tem André Pinheiro Machado e sua esposa Estéfani Vollmer como sócios proprietários, teve que se reinventar para seguir de pé diante das dificuldades impostas.

Natural de São Luiz Gonzaga, André conversou com a reportagem da Rádio Missioneira, contando não só sobre esse momento, mas também resgatando sua história profissional, que, coincidentemente, começou com o jornalismo, mas, por vocação maior, lhe conduziu à cozinha. Com exemplos para seguir do lado do pai, Fernando Pinheiro Machado, e mãe, Maristela Dias Portela, o caminho da cozinha primeiro foi uma necessidade, mas depois se firmou como principal ofício.

Formado em Jornalismo pela UNIJUÍ em 2003, ele trabalhou em Ijuí, São Luiz Gonzaga e região missioneira, acumulando cerca de 15 anos nesta profissão, na qual deu seu pontapé inicial ainda antes de se formar, em 1997, na Rádio Repórter de Ijuí. Porém, com o tempo chegou o momento onde ele sentiu que faltava algo e esse “algo” veio na forma de uma viagem para o exterior: “a minha escolha foi Londres, na Inglaterra e, a partir de 2005, essa transição do jornalismo para a área gastronômica aconteceu quase que de forma natural”, conta André.

André na Torre de Londres, uma das muitas experiências na Europa

Do jornalismo para a cozinha

Em um país diferente, onde o inglês é falado com um sotaque, ortografia e vocabulário muito diferente do que havia aprendido, os planos de tentar algo com o jornalismo logo foram por água abaixo. Com isso, restou a transição para a cozinha, que se deu muito mais pelo talento natural. Foi quando valeu a experiência adquirida em São Luiz Gonzaga enquanto acompanhava sua madrinha Isabel no restaurante Cantina, de propriedade da tia de André, Teresinha Antes. Porém, também havia o exemplo do lado do pai, primo de Celso Miranda, que administra o conhecido restaurante Malaguetta com sua família, também na terra natal do entrevistado.

“Esse instinto possibilitou que o talento florescesse de modo quase que natural, à medida em que eu me embrenhava em cozinhas muitos difíceis”, lembra o entrevistado. Passando por vários tipos de cozinhas, muitas dirigidas sob um verdadeiro regime militar, com hierarquia muito bem estabelecida, André teve oportunidade de trabalhar com chefs premiados e moldar sua carreira. Claro que isso se desenvolveu depois de muitos percalços e de ter que lidar com os conhecidos “subtrabalhos” destinados aos estrangeiros, e ficou a lição, que ele faz sempre questão de passar adiante, que é a importância do estudo do idioma inglês. Fica também o agradecimento ao casal Paulo (Bolacha) Ávila e Lisiane Walker, residentes em Londres que lhe receberam na sua chegada, em 2005.

De volta ao Brasil, André também apostou em coordenar consultorias e workshops sobre culinária

Retorno ao Brasil

Passados dez anos de vivência em Londres, já decidido a investir no novo ofício e com bastante conhecimento na bagagem, André retornou ao Brasil em 2014, onde iniciou o trabalho com a “5ª Essência Gastronomia e Eventos”, em ijuí, atendendo eventos corporativos e particulares na cidade e região. A convite de amigos, surgiu a oportunidade de abrir empresa voltada ao comércio de grãos especiais em Passo Fundo, em um café conceitual, batizado de “Ristretto Grãos e Gastronomia”, abastecendo um público que exige alto padrão de qualidade.

“É uma rotina de trabalhar em cozinha de produção e atender diversos nichos, desde coffee break corporativos, trabalhar com o público do dia a dia da cafeteria, atender eventos à noite, atender residências, fazer workshops, trabalhar também com consultoria profissional para empresas e restaurantes, treinar e capacitar pessoal…” assim André define o trabalho atual, realizado junto com sua esposa e equipe – ao menos assim era até a chegada do novo Coronavírus.

Reinvenção

Com o forte impacto do novo Coronavírus sobre Passo Fundo, André conta que teve que passar por um processo de total reinvenção. Ainda dois dias antes de ser decretado o fechamento do comércio em Passo Fundo, a Ristretto adotou duas linhas de trabalho para enfrentar o isolamento social. Uma das apostas foi em pratos congelados, para as pessoas terem em estoque, e outra de pratos frescos, com muita qualidade e preço acessível, como, por exemplo, uma lasanha a bolognesa, que serve duas pessoas, por R$ 22,50.

“A crise resulta em menor poder aquisitivo ou redução de renda de um modo geral na população (…) quando há menos renda a oferta começa a ter muito mais concorrência, porque todas as empresas estão fazendo, então a gente resolveu baixar o preço e lá no final da conta ganhar em quantidade, e o nosso cliente adorou”, revela André, que, assim, mantém sua equipe trabalhando desde o dia 11 de março.

Participado de reuniões com outros empresários do ramo desde que a pandemia se instaurou, André recomenda que, durante este período, as pessoas orientem suas atitudes mais pela razão do que pela emoção, pois nosso país ainda vivencia um cenário de alastramento do vírus. Ficam os conselhos e os ensinamentos para enfrentarmos tudo isso da melhor maneira possível!

Rádio Missioneira

Confira a entrevista em áudio, dividida em partes:

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