“É preciso reconhecer o papel do indígena na construção do legado cultural das Missões”, diz historiador - Rádio Missioneira - São Luiz Gonzaga - RS
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São Luiz Gonzaga
7 de novembro de 2018
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“É preciso reconhecer o papel do indígena na construção do legado cultural das Missões”, diz historiador

Professor Venturini abordará a “Terra sem Males” (Reprodução/Facebook)
7 de novembro de 2018 l 08:26
Materia atualizada: 07/11/2018 l 08:32

Sérgio Venturini vai falar sobre o assunto em seminário que trata do turismo, educação e história da região





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Inicia na quinta-feira (08) o 2º Seminário Internacional de História, Educação e Turismo da Região das Missões. Neste ano de 2018 o tema é “Missões Jesuítico-indígenas: Antigos Atores, Novas Interpretações”. O evento reunirá palestrantes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O enfoque será assuntos relacionados às questões indígenas dentro do contexto da construção da sociedade dos povos missioneiros.

O historiador Sergio Venturini afirma que o seminário busca recuperar a memória da sociedade Jesuítico-guarani que desenvolveu os povos da Região Missioneira no território hoje pertencente ao Brasil, Argentina e o Paraguai. O próprio Venturini é um dos palestrantes vai abordar o “Sonho Guarani da Terra sem Males”, que segundo ele, nada mais é que viver em harmonia consigo, com os outros e com a natureza. O professor considera importante sociedade desenvolvida por indígenas e jesuítas que ousaram a sonhar e que após disputas territoriais entre Portugal e Espanha registraram seu término.

Sérgio considera importante encontros como o seminário, porque ainda falta muita compreensão de grande parte dos próprios missioneiros sobre as reduções e os pilares que sustentavam a sociedade idealizada por eles. Disse que muitos acreditam que os jesuítas eram escravocratas e que exploraram o trabalho do índio para enriquecer a Companhia de Jesus e a Coroa da Espanha. “É importante registrar que no momento em que os jesuítas chegaram liderados pelo Padre Roque Gonzales de Santa Cruz o indígena estava muito perturbado pela presença dos brancos, tantos os espanhóis que os exploravam nos ervais do Paraguai quanto paulistas bandeirantes portugueses”, disse. “A proposta dos padres de trabalhar de forma organizada em sociedade tornava os índios protegidos” reforçou.

O pesquisador avalia que esse período histórico tem reflexos até hoje nas comunidades indígenas. “A presença do branco traz incômodo, fato que ainda hoje se verifica pelo isolamento dos pequenos grupos existentes, o entendimento é de viver diferente do modo do branco e a realidade continua desfavorável ao índio como era antes”, explicou. Para ele, é preciso conhecer e reconhecer o importante papel do indígena na construção do legado das reduções, através das igrejas, da arquitetura musica e cultura em geral.

Além do professor Venturini, mestres, indígenas, estudiosos e acadêmicos falarão da experiência e contribuirão para o seminário que está com inscrições abertas no site www.trilhadossantosmartires.com.br ou pelo telefone (55) 3355-1300 da secretaria municipal de Educação Cultura e Turismo de Caibaté

O evento será na Associação dos Funcionários da Cermissões (Afucer). A  realização é da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Prefeitura de Caibaté. O seminário também faz parte da programação da Trilha dos Santos Mártires, que começa no domingo (11) e se estende até o dia 18, com encerramento na Romaria do Caaró.

Por Rogerio Morais

Fonte: Rádio Missioneira


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