Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a 32ª Coordenadoria Regional de Educação prestou uma homenagem nesta quarta-feira (8) para uma professora que, assim como tantas outras, faz a diferença.
Em 2013, Vera Lúcia dos Santos Belchor, 50 anos, professora na Escola Técnica Estadual Achilino de Santis, no interior de Santo Antônio das Missões, auxiliou o aluno Emerson Fernandes, na época na 2ª série. Surdo, o jovem escolheu estudar em uma escola técnica, proporcionando uma experiência nova e desafiadora para uma escola do campo.
Incluído no educandário e com total suporte da professora Vera, foi possível oferecer um aprendizado adequado, através da Língua de Sinais.

Por 15 anos, a professora atuou na escola especial mantida pela Apae no município de Santo Antônio das Missões. Neste período ela cursou a especialização em Libras, necessidade que surgiu após conhecer na escola um grupo de três alunos surdos.
Em 2012, foi nomeada para sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) mediante concurso público, sendo lotada na Escola Técnica Achilino de Santis, onde havia sido aluna desde a 6ª até a 8ª série.
Confira a entrevista, feita pela 32ª CRE, com a professora:
Como foi a experiência de ser professora de um aluno surdo?
Como professora do AEE e também nos últimos anos dando um suporte diário em sala de aula (levando em conta que Emerson não tinha intérprete) posso afirmar que assim como para mim foi anos de desafios, aprendizados e oportunidade, para os colegas de sala de aula foi dias de aprendizado e incitação frente a situação vivenciada.
Quais foram as maiores dificuldades encontradas nessa experiência?
Posso citar como dificuldades a falta de outros colegas surdos na escola para que a interação e o aprendizado acontecessem de forma mais interativa. A carência do intérprete de Libras em sala de aula em todas as disciplinas. A busca incessante a cada nova disciplina principalmente no ensino médio, as disciplinas técnicas.
Quais foram os maiores aprendizados colhidos desta experiência?
Minha trajetória na educação especial voltada ao processo de inclusão me ensinou que o respeito à invidualidade é essencial quando queremos uma escola que atenda a todos. Que enquanto professora da Educação inclusiva o aprendizado é algo constante, diário. Que as formações são suporte junto a teoria, mas não o suficiente para dar vida ao trabalho, pois o que dá vida e enaltece a nossa profissão é o nosso olhar, nossa atitude em relação ao outro, nossa empatia com aqueles sujeitos que dão brilho a diversidade dentro da escola. Aprendi que aquilo que sabia e sei não é suficiente e determinante em minha jornada de professora, pois não há receitas prontas, há sim realidades e vivências que precisam ser exploradas e proporcionadas metodologias que atenda a realidade do aluno.
Em sua opinião, por que você é uma mulher inspiração dentro da educação?
Acredito que a educação não flui sem a serenidade, o afeto e a sensibilidade da alma feminina e talvez este seja um dos fatores nos quais mais temos mulheres como protagonista nesta profissão. Neste 8 de março referendar nossas companheiras da educação é enaltecer a luta, desafios e conquistas enfrentadas no chão da escola, pois um grupo que são mulheres, mães, esposas, companheiras, as quais precisam no dia a dia conciliar todas estas atribuições e isto nem sempre é uma tarefa fácil. Particularmente, como profissional da educação busco por um trabalho que amenize barreiras nos quais os alunos incluídos enfrentam na escola e sociedade, para que possam ser sujeitos autônomos e participativos respeitando suas singularidades.
Em 30 anos de magistério e especificamente 10 anos na Escola Técnica Achilino de Santis penso que minhas contribuições possam sim inspirar vidas de alunos que passaram por mim. Parafraseando Mantoan “Educar é empenhar-se por fazer o outro crescer, desenvolver.se e evoluir “, que Deus me permita seguir neste propósito de vida frente a diversidade. Destaco também minha maior inspiração a minha mãe Horondina dos Santos Belchor, que hoje está com quase 80 anos e foi uma excelente profissional da Educação.
Agradeço o convite para essa entrevista especial, e desejo a toda equipe da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (SEDUC/RS) e a 32ª Coordenadoria Regional de Educação, um lindo, feliz e abençoado 8 de março.
Rádio Missioneira