Entre as obras que marcaram a trajetória de Pedro Ortaça, a canção Desde os Tempos de Sepé se consolidou como uma das mais emblemáticas manifestações de resistência cultural da música missioneira gaúcha. Composta por Vaine Darde e Pedro Ortaça, a música tornou-se um símbolo da defesa das raízes missioneiras, indígenas e gaúchas frente às influências culturais e econômicas estrangeiras na América do Sul.
Na letra, Ortaça estabelece um tom de confronto ao pedir que o “gringo faça silêncio”, utilizando a composição como forma de protesto e valorização da identidade regional. A canção critica a substituição de costumes e símbolos tradicionais por referências externas, abordando também questões ligadas ao consumismo, à destruição cultural e aos impactos provocados pela modernização desenfreada.
A música faz ainda uma forte conexão histórica com Sepé Tiaraju, líder guarani que resistiu à colonização europeia. Ao evocar a figura de Sepé, Pedro Ortaça reforça a mensagem de pertencimento e resistência dos povos originários, destacando que a luta pela preservação da terra, da cultura e da identidade é histórica.
Em um dos trechos mais marcantes, a canção reafirma que “a terra tem dono desde os tempos de Sepé”, transformando a obra em um verdadeiro manifesto cultural e político.
Ao longo das décadas, a canção foi eternizada na voz de Pedro Ortaça, tornando-se uma das composições mais representativas da música regional do Rio Grande do Sul e um símbolo da valorização da ancestralidade guarani.
Imagem: Elton Snitowski
Fonte: Rádio Missioneira