“Quem votar nulo, vai fazer fazendo o jogo do sem vergonha”. “Parece
que ninguém percebeu que as mudanças eleitorais beneficiam quem já está no
poder”. O desabafo é do deputado Marlon Santos, presidente da Assembleia
Legislativa do Rio Grande do Sul, entrevistado no programa Jornal da Manhã
hoje.
Na conversa, ele falou sobre o momento político que o país
vive, na preparação para as eleições em outubro. O deputado acredita que é
normal atualmente “tudo virar discurso político”, especialmente na assembleia,
a qual preside neste ano. Para o parlamentar, as novas regras eleitorais, que
estipula campanha de 45 dias, é uma esquizofrenia. Marlon citou a eleição em
outras democracias, onde os candidatos possuem mais de seis meses para
apresentar as propostas à população.
Ele acredita que o tempo é curto, com regras que beneficiam
quem já está no poder. “Ninguém vai conhecer gente nova. Não se pode nem por um
banner de um metro, como vão conhecer?”, criticou Santos. “Virou uma caça às
bruxas, é um momento complicado”, resumiu.
O presidente defende que os candidatos possam ter direito de
publicidade para que as pessoas conheçam as ideias. “Vai ser um ano
extremamente crítico”. Ele ainda colocou a importância do papel do eleitor. “Vão
ter que sair de casa pra votar. Não adianta votar nulo, porque vai estar
fazendo o jogo do ladrão, vai ajudar o sem vergonha a se eleger”, disse.
Na entrevista, confirmou que vai concorrer a uma cadeira na Câmara
dos Deputados em Brasília. “Adoro o que faço aqui no Rio Grande do Sul, mas não
me resta outra alternativa a não ser ir pra deputado federal”, explicou. Marlon
está otimista, uma vez que nas últimas eleições teve grande número de votos.
Ele também se orgulha que de todos os adjetivos que o chamam, ladrão é que
menos ouve.
O presidente ainda critica o discurso de quem só reclama. “Se
acha que tem condição, entra na política. Entra pra mudar”, afirmou. Marlon
também acredita que a mudança passa pela integração. “Não adianta
assuntar ditadura pelo momento infeliz que passamos. Não se pode tirar a
liberdade das pessoas”, finalizou.
Ouça abaixo o áudio completo da entrevista.