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São Luiz Gonzaga
31 de outubro de 2018
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“Demonizar professores é tirar o direito das pessoas a pensar”, diz Arisa ao deixar reitoria da Uergs

Foto: Divulgação/Uergs
31 de outubro de 2018 l 16:34
Materia atualizada: 01/11/2018 l 11:44

Professora se despede do cargo na próxima semana e voltará à São Luiz Gonzaga





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A doutora Arisa Araújo da Luz deixa o comando da Universidade do Rio Grande do Sul (Uergs) em um momento único na história brasileira, em que é questionado o papel da educação pública e de como professores devem agir. A professora saiu da unidade de São Luiz Gonzaga para ser reitora da universidade que mais teve dificuldades financeiras no Rio Grande do Sul. Em entrevista à Rádio Missioneira, ela avaliou seu trabalho na reitoria, seu retorno às Missões e a sua preocupação com os rumos da educação no Brasil.

A reitora destacou a alegria pela oportunidade, mas lembrou que foi um período bem tumultuado economicamente, financeiro e político. No entanto, juntamente com a equipe que o acompanhou nos quatro anos de mandato foi possível deixar a Uergs em outro patamar. Ela disse ter a certeza de que nenhum governante vai questionar a necessidade de ter uma universidade estadual.

Para a docente, todos os estados que tem uma qualidade de vida um pouco melhor possuem uma universidade forte, que considerou uma indutora das políticas para desenvolvimento regional. Uma das conquistas de Arisa na reitoria foi o início da construção da unidade própria da Uergs em São Luiz Gonzaga. Com recurso garantido, o serviço deve começar em breve.

Professores não doutrinam alunos

Arisa se referiu ao momento como sério e preocupante, porque algumas pessoas desacreditam e fazem desacreditar o papel transformador do professor, principalmente na rede pública. Afirmou que há mais 30 anos é professora, e neste período, somado ao tempo que fora estudante nunca teve e nem mesmo conheceu um professor que pudesse ser chamado de doutrinador, disse que sempre teve a capacidade, estimulada por eles, de ter opinião e aprofundamento de estudo nas áreas que lhe chamaram a atenção.

“Se contrapor a que pessoas se aprofundem em temas da história, política, sociologia e filosofia é desejar que as pessoas parassem de se preocupar com os problemas que nos atingem diariamente”, disse a reitora. Ela complementou que os países desenvolvidos investem em uma educação que permitam as pessoas pensarem e perceberem como participantes do importante processo de transformação do meio em que vivem.

Ainda conforme a reitora, demonizar as escolas e professores é tirar o direito das pessoas a pensar, agir e criar soluções que vão beneficiar a qualidade de vida de todos. “Sem esta consciência, passamos a ser dependentes de qualquer governo, porque perdemos o pensamento crítico e a capacidade de refletir”, argumentou.

Escolas não são aparelhos ideológicos, afirma Arisa

Segundo Arisa, as escolas não são aparelhos ideológicos. Ela lamentou que tantas coisas infundadas são ditas para que os colégios e universidades não façam o que sempre buscaram fazer, que é a educação de qualidade e na maioria das vezes, com poucos recursos. “Dizer que as escolas não podem discutir política, sociologia, antropologia e filosofia é tirar o foco das questões, dentre elas, a falta de investimento em educação, a desvalorização do profissional e as más condições das escolas”. explanou.

A reitora defende a valorização de professores, não a demonização. “Precisamos valorizar cada vez mais os professores, pois deles depende o futuro da nossa nação. São eles que colocam todos os fatos e permitem que as pessoas pensem e se coloquem diante das situações”, ressaltou.

Retorno para as Missões e posse da nova reitoria

Ela reforçou o convite para prefeitos, vereadores e autoridades da região para comparecer no ato de posse no novo reitor. Leonardo Bertoldt e vice a professora Sandra Lemos assumem os cargos no dia 05 de novembro, às 15 horas no Salão de Atos do Tribunal de Contas do Estado, Centro Histórico de Porto Alegre.

Finalizado o mandato, Arisa volta para São Luiz Gonzaga, cidade que a acolheu e considera o melhor lugar para viver. Para ela, o município representa a qualidade das pessoas que se preocupam com o desenvolvimento não só local, mas também da região.

Autor: Rogério Morais

Fonte: Rádio Missioneira

 


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