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São Luiz Gonzaga
25 de novembro de 2018
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Defensora pública fala sobre como a violência contra as mulheres também prejudica os filhos

25 de novembro de 2018 l 18:26
Materia atualizada: 25/11/2018 l 18:33

Andreia Rambo palestrou na Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Luiz Gonzaga





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“Crescer em um ambiente agressivo não contribui em nada para a vida saudável da criança”. A reflexão, da defensora pública Andreia Rambo de Moraes, mostra outro lado da violência contra as mulheres: o prejuízo para os filhos e filhas. A profissional abordou o assunto em palestra durante a Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Luiz Gonzaga, realizada na URI.

Conforme Andreia, a violência dos agressores causa reflexos em toda a família, inclusive nos próprios homens, além das principais vítimas, que são as mulheres. No caso das crianças que presenciam a violência verbal e física, o resultado pode ser danoso para toda a vida. “Essa criança começa a ser prejudicada na escola, a diminuir seu rendimento, sem contar que isso reflete no comportamento com os relacionamentos, tanto com colegas quanto na vida adulta”, ressaltou. “A criança que cresce vendo a mãe apanhar pode naturalizar essa violência. Os filhos são espelhos dos pais”, complementou.

Além do comportamento, Rambo salienta que em casos graves a criança pode ficar órfã, quando as mães são assassinadas pelos maridos ou ex-companheiros. “Vemos muitos graves assim, com um desfecho muito triste para todos”, explicou. Não raro a criança fica órfã de pai e mãe, já que em 23% dos casos de feminicídio o criminoso comete suicídio, ou ainda sem a presença do pai que pode ir preso. Foi o caso de um feminicídio em Bossoroca, em maio deste ano, que deixou duas crianças pequenas órfãs.  Situações que envolvem álcool e drogas na família complicam ainda mais o contexto da violência, conforme a defensora. 

Ela destacou que essas atitudes de violência ferem completamente os direitos da criança, que são garantidos pelo Estatuto da Criança do Adolescente (ECA). A defensora enfatizou o papel de educadores, que podem percebem o comportamento dos estudantes e tentar buscar ajuda.

Ela defende a comunicação não violenta e o diálogo como saída. Andreia não crê que a violência e uso de armas seja a maneira de barrar a violência. “As pessoas precisam de educação em direitos. Sentar, conversar e dialogar sobre os problemas pode ser a melhor solução”, argumentou. Rambo citou programas que colaboram nesse sentido, como o Mediar, da Polícia Civil, baseado na conversa entre as partes em busca de uma solução, sem chegar ao judiciário.

Em 2019, será implementado na cidade um programa da Defensora Pública do Estado do Rio Grande Do Sul, com base no diálogo, como forma de resolver conflitos, principalmente no âmbito familiar. O objetivo é prevenir crimes como a violência doméstica a melhoria das relações das famílias.

Autora: Amanda Lima

Fonte:Rádio Missioneira

 


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