Se
você é são-luizense ou morador da região e visitou o município, provavelmente
conhece a patrola que fica ao lado da prefeitura. A motoniveleradora
foi adquirida no ano de 1949, durante a gestão do Coronel Justino Marques de
Oliveira. Com a evolução dos maquinários a patrola tornou-se defasada e acabou
ao lado da prefeitura, onde se encontra até os dias de hoje. Ela é uma relíquia
histórica que marca a evolução de São Luiz Gonzaga e da microrregião.
Porém,
por si só a motoniveladora nada teria feito. Atrás do volante, havia a vontade
insaciável por trabalho e o vigor de João Francisco Silveira da Cruz – operador
da máquina. Juntos eles abriram estradas e traçaram caminhos em toda a cidade e
também em municípios que na época eram distritos de São Luiz Gonzaga.
O reencontro
Com
95 anos, João tem nove filhos, nove netos e setes bisnetos. É casado com Célia
Ribeiro da Cruz, de 91 anos, e vivenciou nesta quinta-feira (16), visitou o
maquinário após aproximadamente 60 anos. Em entrevista a Rádio Missioneira, ele
relembrou o primeiro contato com a patrola.
Explicou
que foi contratado pela prefeitura no ano de 1957 para ser patroleiro. Devido
a mudanças no quadro de funcionários,
definiu-se que ele seria o encarregado de operar a motoniveladora.
João
contou que abriu caminho em municípios que na época eram distritos de São Luiz
Gonzaga e que atualmente são emancipados, como por exemplo, São Nicolau, Pirapó, Dezesseis de Novembro,
Caibaté, Mato Queimado e Rolador. “Fiz todas as estradas dessa região. Nós
íamos para os lugares, trabalhávamos e após o trabalho tínhamos que voltar para
São Luiz Gonzaga a pé, pois a prefeitura não buscava”, disse. Contou que
trabalha exaustivamente, uma vez que a motoniveladora não oferecia recursos que
facilitassem o trabalho. De acordo com
ele, a vontade e o vigor com que exercia sua função se dava devido ao fato de querer
que seu trabalho aparecesse e mostrasse resultados.
O aposentado disse ainda, que se atualmente o prefeito mandasse arrumar a “pixirica” como
carinhosamente apelidou a máquina devido ao pequeno tamanho, iria patrolar as
ruas das vilas de São Luiz Gonzaga.
A
descoberta
Através do vice-presidente da Cermissões, Diomedes Heck, que foi possível saber
um pouco mais sobre essa história. Diomedes explicou que trabalhava na documentação da rede de servidão
da nova subestação da Cermissões, na BR 285, quando encontrou o seu João.
Conforme o vice-presidente, a rede corta algumas propriedades, dentre elas a do
ex-funcionário público, que em uma conversa informal com Diomedes, contou sobre
o feito. “O seu João perguntou de onde eu era. Contei ser de Bossoroca. Foi aí que ele contou que patrolou as estradas do município. E logo após, relatou que foi com a patrola que
fica ao lado da prefeitura”, afirmou Diomedes.
O
vice-presidente destacou que achou muito importante a história, uma vez que
considera necessário resgatar uma lembrança com o tal cunho. “Ele teve um papel
fundamental para São Luiz Gonzaga e para a região. Ele abriu estradas que nos
ligam a outros municípios. Estradas que atualmente cruzamos dias e noite. Um
trabalho de relevância e honestidade que permitiu os avanços de serviços gerais
no município”, evidenciou.