A crise do Covid-19 demonstra como estamos despreparados para lidar com situações difíceis.
De um lado está o nosso campo de “certezas”. Nele está presente tudo aquilo que podemos controlar: nossas ações, o que podemos pesquisar para compreender melhor o que está acontecendo, e o planejamento para lidar com as diferentes possibilidades.
Não importa quanto estamos preparados de um lado, haverá sempre uma parcela da situação que acontece por fatores incontroláveis e imprevisíveis. É o que chamamos de zona da incerteza.
É aqui que começa o pânico para muita gente. As pessoas pensam que ter uma zona de incerteza é ruim, como se estivéssemos despreparados para a situação. Vejamos todas as incertezas que o Covid-19 nos traz, por exemplo. Mas este raciocínio está equivocado. A margem de incerteza é o que mantém nosso plano realista.
Não importa quanto pesquisamos ou planejamos, sempre há uma probabilidade de tudo ir mal e nossos planos se evaporarem. Planos podem ser perfeitos e mesmo assim dar tudo errado. Por isso é preciso ser flexível com as incertezas e sermos capazes de nos adaptarmos.
Um bom plano se adapta ao que as incertezas vão trazendo ao longo do trajeto. Nessas horas não é hora de nos recriminarmos pelo que não previmos. É preciso ver o que faremos daqui para frente.
Quanto mais aceitamos que lidamos com incertezas, melhor nos planejamos. Estimativas muito controladas logo se mostram equivocadas por ignorarem a essência da realidade.
Vanessa Ibargoyen
Psicóloga
CRP 07/26960
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