Mais um tronco missioneiro será reverenciado através da arte do escultor são luizense Vinicius Ribeiro. Está prevista a construção de um monumento a Cenair Maicá na cidade turística de São Miguel das Missões.
O projeto é uma iniciativa da comunidade, amigos e familiares e tem o apoio da prefeitura municipal. A inauguração está prevista para o dia 03 de maio de 2019, dia do aniversário de Cenair, no local, cedido pela prefeitura municipal de São Miguel das Missões será construído um complexo cultural que contará com um lago, pois Maicá ficou conhecido como o “Cantor das Águas”, referência feita por Jayme Caetano Braum.
Vinicius já construiu monumentos ao Jayme em São Luiz Gonzaga e à Noel Guarany em Bossoroca, também chamados de troncos missioneiros, além de várias outras obras no estilo que ele próprio denomina “Realismo Missioneiro”. Sepé Tiarajú e Justiça Missioneira localizadas no largo da prefeitura e no fórum de São Luiz, respectivamente, são exemplos de esculturas de Ribeiro.
Em seu blog o escultor descreve e justifica o seu estilo; “Todo artista é livre na sua manifestação artística, pode ir por ali, aqui e acolá, não deve ser escravo de nenhum estilo, pois cada estilo é veículo para expressar diferentes sentimentos, mas quando sua obra, carregada de ânsias, traduz e reivindica o esplendor que foram as Missões, a isso nós chamamos, na música, de Estilo Missioneiro e nas artes plásticas de Realismo Missioneiro”.
Em entrevista à Rádio Missioneira na manhã desta quinta-feira (13) o artesão destacou que é uma grande honra ter recebido o convite para o trabalho, e que se trata de uma grande responsabilidade pelo o que foi Cenair Maicá e pelo o que representa a sua arte para a região e para o estado.
Demonstrando conhecer muito bem o artista homenageado, Vinicius lembrou que Cenair Maicá nasceu no distrito Águas Frias no atual município de Tucunduva e morreu em Porto Alegre em 1989. Cantor e instrumentista, ficou conhecido por cantar a natureza, o trabalho e os índios. Ele relaciona este olhar diferenciado sobre o guarani e também sobre as pessoas simples e desprovidas de riqueza material, pela origem do cantor, e pelo convívio com balseiros e trabalhadores na extração de madeira nas barrancas do Rio Uruguai e também ao período que morou em São Miguel das Missões quando conviveu com remanescentes indígenas.
O escultor considerou essas experiências determinantes para a sua arte contestadora e inconformada diante da situação de exclusão dos trabalhadores e dos índios, verdadeiros herdeiros desta terra.
Por Rogerio Morais
Fonte: Rádio Missioneira