São Borja esteve entre os municípios que receberam ações da Operação Aliança Velada, deflagrada nesta quinta-feira (11) pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal.
A ofensiva integra a quarta edição da Operação Convergência Nacional RS e teve como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção dentro do sistema prisional gaúcho.
Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva e 40 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 27,8 milhões ligados ao grupo investigado. As ações ocorreram em diversos municípios, entre eles São Borja, Uruguaiana, Itaqui, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre.
De acordo com as investigações, a organização criminosa possuía uma estrutura hierárquica definida, com atuação nos setores gerencial, operacional, financeiro e de corrupção estatal. O grupo teria movimentado R$ 55,7 milhões de forma ilícita em apenas 16 meses.
As apurações apontam que líderes da facção coordenavam crimes mesmo de dentro de penitenciárias. Dos 30 mandados de prisão, dez tiveram como alvo integrantes apontados como chefes da organização que atuavam a partir de estabelecimentos prisionais.
A investigação também identificou o envolvimento de dois policiais penais, suspeitos de facilitar a entrada de celulares e drogas em unidades prisionais mediante pagamento. Os servidores foram alvos de prisão e afastamento de suas funções.
Segundo o Ministério Público, o esquema utilizava contas bancárias de terceiros, empresas de fachada, compra de veículos e imóveis e até mesmo uma organização não governamental (ONG) para ocultar e movimentar recursos oriundos das atividades criminosas.
As investigações tiveram início após a análise de um telefone celular apreendido durante a Operação Vis Legis, realizada em julho do ano passado. A partir das informações obtidas, os investigadores identificaram a rede de comunicação entre lideranças presas e integrantes que atuavam fora das penitenciárias.
Além das prisões e buscas, a operação resultou no sequestro judicial de 30 veículos e três imóveis, além da transferência de dois apenados considerados estratégicos para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.
Fonte: Rádio Missioneira | Com informações do MP/RS