Santidade ou pecado? Amar a todos e não possuir ninguém, ultrapassar
o aspecto puramente fisiológico ou ainda na castidade e no celibato, viver como
a maioria dos fies e entregar-se ao desejo da paixão?
Disciplina ou obediência? Verdade ou hipocrisia? Chamado de
Deus ou da Igreja? A experiência de Jesus no coração ou a do amor de uma
família? Sucumbir ou resistir? Sexo ou abnegação?
Você provavelmente já se perguntou sobre a vida de um padre,
sobre sua castidade, celibato e devoção. Sobre a clássica frase “padre não pode
casar” e “padre não faz sexo”. Esses são dois temas que permeiam e estão
infiltradas na tradição milenar da Igreja Católica. De fato, o padre não pode
casar-se, tão pouco, ter relação sexual. O padre Tarso Alles, da Paróquia de
São Luiz Gonzaga, que celebrará 30 anos de dedicação ao ministério, falou à Radio Missioneira sobre o tema.
Castidade:
A Castidade no Catecismo da Igreja Católica contém
mandamentos, dentre eles alguns que falam sobre a própria castidade e o sexo.
Um deles é o CIC 2357 que afirma “com
apoio na Sagrada Escritura (Gn 19, 1-29) os atos sexuais são apresentados como
depravações graves, os atos sexuais são intrinsecamente desordenados, são
contrários à lei natural. Em caso algum podem ser aprovados“.
Outra definição da castidade é “que ela significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com
isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual“. Já o
celibato ou celibatário é a condição de pessoa solteira. O voto de celibato é feito apenas por padres
formados nos seminários, contudo não abrange a castidade, mas o obriga uma vez
que a Igreja não aceita relações sexuais fora do casamento.
O padre
afirmou que há carência de jovens – masculinos -, dispostos a dedicar a vida a servidão comunitária por meio do trabalho do
cristão.
Para ele,
são diversos os fatores que implicam no baixo número de pessoas com vocação ou
vontade de estudar e viver com intensidade da fé e dedicação. “Vejo ser uma
questão complexa. Vivemos uma realidade diferente de 30 anos atrás quando me
candidatei a ser ordenado”, falou. O padre explicou que nas décadas passadas as
famílias tinham muitos filhos e que, faziam questão de que ao menos um fosse
seminarista. Porém com o passar do tempo, a taxa de natalidade diminuiu, assim,
os pedidos dos pais para que os filhos seguissem a devoção católica. “Esse pode
ter sido um dos fatores. Contudo, não descarto que a realidade atual interfira
– da falta de fé e perda de valores -, mas ainda assim, penso que a falta de
incentivo é um dos fatores mais relevantes”, argumentou.
Um novo modelo:
O padre
também destacou que na região, o futuro dos padres é preocupante devido a essa
carência. Outro ponto que ele apontou, são as normas adotadas pela Igreja
Católica – como a vida casta e o celibato. “O modelo de ser padre, hoje não
atraem crianças e jovens. São dimensões importantes e que talvez, o espírito de
Deus nos peça para revermos e repensarmos
o jeito de viver o sacerdócio”, disse.
Tarso
analisa que o papa Francisco representa uma nova perspectiva, que coloca
diversas preocupações em relação aos jovens e a vida cristã. De acordo com ele,
é preciso rever o celibatário e as dimensões que impeçam a vida em família dos
padres, para que a Igreja atraia novos jovens. Sobre relação sexual e a
construção de uma família, Tarso defendeu que também é uma questão a ser
revista. “Sempre digo: quem sou eu para repensar ou pensar uma figura ou modelo
diferente de padre que vem de séculos? Ainda assim, na minha visão é algo que
precisa ser revisto. Cada ser humano precisa ter essas dimensões plenamente
realizadas na prática – de um relacionamento normal sexualmente falando e de
estabelecer uma família”, declarou.
Tarso
salientou acreditar que ao menos deveria haver opções, na qual a figura do
padre possa seguir o ministério ordenado como solteiro, celibatário, se assim
preferir. No entanto, que exista também a alternativa de escolher seguir o
ministério e ainda assim assumir a vida em família como qualquer outra pessoa com relacionamento afetivo, emocional e sexual.
Agradecimento:
Em 2017, o
padre celebra 30 anos de ministério, de servidão a igreja e as comunidades. Só
em São Luiz Gonzaga já faz mais de uma década. Afirmou se sentir feliz com sua
vida e com o caminho trilhado, bem como no papel que desempenha na sociedade,
de manutenção da fé, de plenitude e de atividades que envolvem as comunidades
nas dimensões de cada ser humano em sua comunicação com Deus.