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Caso Nalita: agente de saúde está há mais de três anos desaparecida em São Luiz Gonzaga

São mais de três anos do desaparecimento da agente de saúde de São Luiz Gonzaga Nalita dos Santos Schorr, aos 32 anos. O caso ocorreu no final do mês de julho de 2019. Após concluídas todas as investigações possíveis e com as diligências esgotadas, de acordo com a Polícia Civil, o inquérito foi arquivado, tendo passado pelo Ministério Público e pela análise do Poder Judiciário. Porém, mesmo assim, aos surgirem novas informações, a investigação pode ser retomada.

“Na época, a gente fez todas as investigações que eram possíveis. Contamos com o auxílio imenso do Corpo de Bombeiros para ir fazer buscas quando chegava alguma informação. Cumprimos mandado de busca, fizemos perícia de luminol. Foram várias as perícias realizadas, várias diligências”, lembra a delegada Tanea Bratz.

Ainda conforme a delegada, suicídio e feminicídio foram as linhas de investigações com as quais a Polícia trabalhou à época. Tanea menciona que caso venham a surgir novidades ligadas ao caso há possibilidade de desarquivamento do inquérito.

 

“A gente acredita que se alguém tenha algum conhecimento sobre esse fato pode nos procurar, pode fazer denúncia anônima. Acaba que a gente sente uma frustração porque nós não conseguimos localizar nem o corpo e nenhuma informação que ela pudesse ter fugido do município. Nós concluímos sim pelo evento morte, e dentro dessas linhas de investigações suicídio ou feminicídio, mas o inquérito foi inconcluso”, explica a delegada.

 

Informações podem ser repassadas, de forma anônima, na delegacia de Polícia e pelos números 3352– 8111, pelo 190 da Brigada Militar e pelo Disque 100.

Filhos

A agonia de não saber o que aconteceu, se a mãe está viva, se espera ou não espera algum dia encontrá-la, faz parte dos dias da filha de Nalita, Eduarda Schorr da Silva.

“A gente somente queria uma resposta. Se está morta, se está viva, e poder dar um fim nisso para nós podermos seguir a nossa vida, tanto eu quanto meu irmão, para crescer com essa dor um pouco menor, de saber que acabou, que deu, que não tem mais a agonia que ela está passando. Sempre com esperança. Como eu falei, é algo incabível talvez eu achar minha mãe viva, mas a esperança que algum dia eu possa encontrá-la viva é algo que permanece sempre”, diz a filha.

Durante esse tempo do desaparecimento de Nalita, agente de saúde concursada do município, Eduarda afirma que não recebem suporte.

“A gente estava sem mãe. Era o mínimo que deveriam ter feito era ter dado um suporte para a gente e não teve nenhum. Até os cartões de mercado cortaram tudo, plano de saúde, tudo” comenta Eduarda que, na época do desaparecimento de Nalita, tinha 15 anos e o irmão 5 anos.

Eduarda menciona que, no período, buscou suporte da Defensoria Pública, que teria alegado não poder atuar no caso por tratar-se de administração pública. Ao completar 18 anos, para que o irmão tenha acesso a esse direito que, no entendimento dela, a mãe estaria dando, e para reaver os direitos que não recebeu, foi contratado um advogado.

“No começo, falaram que em seis meses a gente iria começar a receber. Aí fui lá com seis meses e nada. Com um ano a gente iria receber e nada, um ano e meio a gente iria receber e nada. Aí chegou que um dia me falaram que não tem como pagar o salário para quem não morreu e para quem não está trabalhando, porque eles não pagam o salário para quem não vai trabalhar”, finaliza Eduarda.

De acordo com o Sindicato dos Municipários de São Luiz Gonzaga, para que possa ser repassado esse suporte haveria a necessidade de uma decisão judicial. Enquanto não houver a legalidade, a entidade não pode tomar uma atitude, com pensões e aposentadorias sendo concedidas apenas via judicial.

“Precisa ter um laudo de desaparecimento, laudo da delegacia, do Fórum e ela vai entrar via judicial e o juiz vai decretar que está sendo dada como morta ou como desaparecida e depois esse laudo judicial é apresentado na prefeitura e a prefeitura começa a pagar então, vamos dizer, uma pensão para as pessoas que terão direito”, comenta Nilson Chaves, presidente do Sindicato, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Misisoneira.

Ainda de acordo com ele, o direito é para menores de idade, dependentes ou totalmente dependentes financeiramente.

Rádio Missioneira

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