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As pessoas querem o direito de fazer piadas racistas, lamenta professor de sociologia

Ter uma oportunidade de emprego negada pela cor da pele. Ver
uma pessoa atravessar a rua para não passar ao seu lado. Ser alvo de piadas
ofensivas pela cor da pele. São apenas algumas das situações que o professor de
Sociologia da URI São Luiz Gonzaga, Rodrigo Miguel Souza já passou. Convidado
no programa Cidade Alerta de hoje, Dia da Consciência Negra, falou sobre o
racismo e a importância da reflexão em torno do tema.

Conforme o docente, o racismo sempre existiu no Brasil. No
entanto, a onda conservadora que atinge o país nos últimos meses e as redes
sociais tornaram as atitudes mais visíveis. ?Aconteceram avanços nos últimos
governos, aí um grupo que pensa que é privilégio contesta o que está posto, e o
conservadorismo se aproveita disso?, destaca Miguel.  Segundo o professor, essas pessoas desconhecem
ou fingem desconhecer os dados que mostram a desigualdade no país. “O negro é
minoria em todos os espaços. Na docência, por exemplo, apenas 0,5% dos
professores de universidades federais são negros”, cita.

Sobre o preconceito na universidade, ele destaca que as
atitudes são diferentes. “Ser professor dá um status social, no entanto, ser
professor negro faz com que o racismo seja mais velado, porém existe”, comenta. “Isso mostra que até mesmo em pessoas mais instruídas o preconceito acontece”,
complementa o professor.

Não acreditar em algo
não significa que não existe

Miguel explica que muita gente nega a existência do racismo. “Os
fatos são sociais e não psicológicos, acreditar que eles não existem não
significa que eles realmente não existam”, salienta o sociólogo. No Brasil,
desde 1989 o racismo é considerado crime, cometido muitas vezes sem perceber.

As piadas e comentários são as mais freqüentes. “Dizer que o
cabelo da criança é ruim, por exemplo, é uma crueldade muito grande”, ressalta
Souza. Outro exemplo citado é o imaginário social que todo negro é bandido. “As
pessoas pensam no bandido, o assaltante, sempre como um negro”, pontua.

Por que lutar para
continuar ofendendo as pessoas?

“O mundo está ficando chato”, é um discurso muito utilizado
hoje, quando alguém é reprimido por algum tipo de preconceito. Para o
professor, é preciso que as pessoas coloquem a mão na consciência. “Será que a
nossa luta hoje será pelo direito de ofender as pessoas?”, contesta Rodrigo.
Ele possui esperança de que o racismo, por ser uma construção social, pode ter
fim. “As pessoas devem ser agentes para não compactuar com isso e assim
contribuir para um mundo melhor e com mais respeito”, esclarece. “Quando
presenciar uma atitude racista, deve dizer que não tem graça, que é crime e não
serem reprodutoras do preconceito”, reforça o professor.

Programação especial na
URI

Pela manhã, Miguel participou de bate papo com alunos da escola
básica sobre racismo. À noite, alunos da graduação terão palestra com o
historiador Leandro Jorge Daronco, autor do livro “A sombra da cruz”, sobre a
resistência escravista.

No sábado (25) a temática será debatida na edição mensal do
encontro Direito e Sociedade. O professor convidado é Paulo Zart, pós-doutor em
história e pesquisador sobre a região das Missões. O evento é aberto ao
público. 

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