A macela é a planta medicinal símbolo do Rio Grande do Sul, instituída por meio da Lei 11.858, de 5 de dezembro de 2002. Tradicionalmente, as famílias gaúchas colhem a planta na Sexta-feira Santa, antes mesmo de o sol raiar, por acreditarem que a macela se torna abençoada e ‘potente’, se for colhida desta forma.
Conforme a engenheira agrônoma e extensionista rural da Emater, Djeimi Isabel Janisch, a macela é uma planta nativa da América do Sul, sendo possível encontrá-la na Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador. “No Brasil, a macela do Nordeste, por exemplo, não é a mesma espécie da macela aqui do Sul”, explica. Ela ainda salienta que devido à dimensão continental do Brasil e a diversidade de climas, há variações de espécies, mas as funções são as mesmas, principalmente a digestiva e hepática.
Quando se trata da espécie que ocorre na nossa região, é possível encontrá-la no Cerrado, Mata Atlântica e Pampa”, diz. Ela esclarece que a macela se encontra em estado de floração entre os meses de março e abril, coincidindo com o período da Sexta-feira Santa. “A macela é uma planta rústica, que se adapta a solos ácidos e erodidos. As plantas crescem espontaneamente em áreas abertas, em pastagens, beiras de estradas”, comenta. Djeimi ressalta que a planta medicinal floresce entre o verão e o outono e se adapta melhor a climas amenos.
Djeimi conta que, de forma popular, pode-se afirmar que a planta está em ‘extinção’, mas não de forma oficial. “Como não se tem o hábito de cultivá-la, a ocorrência espontânea desta planta tem sim reduzido. Com o advento da utilização de químicos para controle de plantas invasoras, a ocorrência natural da macela reduz”, afirma.
Apesar da crença popular de que quando a planta é colhida ainda úmida de orvalho, na Sexta-feira Santa, os efeitos são mais potentes, a extensionista rural da Emater explica que colher a planta molhada não é o ideal. “A umidade favorece o desenvolvimento de fungos, que podem degradar o produto e, se utilizado para chá, pode fazer mal à saúde. Por isso, a seleção do material colhido é de extrema importância”, alerta. Ela ainda esclarece que o material colhido deve ser seco à sombra e em ambiente arejado, justamente para não desenvolver fungos (mofo).
A profissional também orienta quanto ao processo de secagem da planta. “Quando se colhe em maços e pendura para secar, é importante fazer maços pequenos para acelerar e facilitar a secagem, bem como cobrir o maço com pano limpo de algodão, para evitar contaminação com poeira. Além disso, não é recomendado colher em beira de estrada ou outros locais que possam contaminar o material”, observa.
Fonte: Folha do Mate