Ir ao banco ou no comércio de São Luiz Gonzaga, para quem está de
carro, pode ser um estresse. Voltas e mais voltas à procura de uma vaga para
estacionar, que são raras no Centro da cidade. A reclamação é dos motoristas e
dos empresários, cansados de ouvir dos clientes sobre a dificuldade para
encontrar a vaga.
Neste ano, parecia que o problema iria acabar, mas nenhuma
empresa está interessada em implementar o estacionamento rotativo na cidade. O estacionamento
pago faz parte da orientação técnica que consta no Plano de Mobilidade Urbana,
elaborado por uma empresa especializada no assunto.
A emissora buscou ouvir todos os lados envolvidos na
polêmica. A Câmara de Vereadores, que desde o início buscou reduzir o número de
vagas, uma das causas da falta de interesse nas empresas, a própria comunidade,
a classe empresarial, a prefeitura e empresas do ramo, para trazer o assunto à
discussão, enquanto o problema não é resolvido.
Por que não nenhuma
empresa se interessou?
A emissora realizou pesquisa com empresas que atuam no estacionamento
em outras cidades. A maior parte alegou que 17 quadras é um número inviável
para instalação, além da tolerância de 15 minutos.
O diretor técnico da BR Parking, Ronaldo Leite, disse que a
empresa conheceu o edital, porém devido às cláusulas, decidiram não participar
da licitação.
A BR Parking é responsável pelo estacionamento em Palmeira
das Missões, cidade com número de habitantes parecido com São Luiz Gonzaga. Lá,
não existe tolerância.
O estacionamento funciona de segunda à sexta, das 9h às 12h e
das 13h30 às 17h15min. Aos sábados, funciona pela manhã, das 8h às 12h. O custo
é de R$ 0,90 por meia hora, R$ 1,80 por uma hora e R$ 3,50 por duas horas, tempo
máximo para ocupar uma vaga.
na cidade. O estacionamento rotativo gera 17 empregos diretos no município.
Os motoristas
A reportagem da Rádio Missioneira saiu às ruas ouvir os
motoristas. A reclamação foi unânime. Um deles estava irritado, há 15 minutos procurando de uma vaga.
São Luiz Gonzaga é conhecida por ser um pólo do comércio micro
regional, mas quem vem de fora também se irrita com a falta de vagas. “Quantas
vezes perdemos muito tempo procurando e nada”, conta o funcionário público
Carlos Sebastiany. Ele é morador de Pirapó e visita São Luiz Gonzaga com freqüência.
Os empresários
A Associação Comercial e Industrial foi uma das principais
entidades a reivindicar o estacionamento rotativo. Os empresários sentem no
bolso a reclamação dos clientes, que muitas vezes desistem de comprar, já que
não conseguem estacionar próximo às lojas.
O ex-presidente da ACI, Nilton Teixeira, disse à emissora que
a reclamação é antiga. “A entidade sempre lutou por essa causa, participamos de
todas as discussões e estamos à espera da solução”, conta Nilton, que também é
empresário.
A Câmara de Vereadores
Foi na aprovação do projeto no Legislativo que a polêmica
começou. Muitos vereadores foram contrários à implementação do estacionamento
com 21 quadras. Foi aprovada uma redução para apenas sete quadras, vetada pelo
prefeito Junaro Rambo Figueiredo.
O Executivo já previa a falta de interesse das empresas com
um número tão reduzido. Após muita discussão, chegou-se ao consenso de 17
quadras. Segundo o vereador Chiquinho Lourenço (PDT), que fez parte da comissão
especial que analisou o caso, as medidas foram tomadas pensando no bolso dos
moradores.
“Temos que pensar no custo disso para o cidadão. Não podemos
ficar aprovando leis que onerem ainda mais o bolso do consumidor”, defende o
vereador.
Prefeito espera bom
senso dos vereadores
Nesta semana, o Conselho Municipal de Trânsito vai se reunir
para elaborar um novo projeto. Conforme o prefeito, a ideia é aumentar para 21
quadras, conforme o projeto técnico indicava desde o início. A tolerância de 15
minutos também deverá ser excluída.
Depois, o projeto será enviado para votação. “Esperamos o bom
senso dos vereadores”, pondera Junaro. Ele acredita que se for aprovado em
breve, o estacionamento rotativo pode ser uma realidade ainda neste ano.