Vários casos de desidratação foram confirmados pelo Samu na cidade. Nos últimos dias, houve um aumento repentino nos óbitos de idosos e nos atendimentos
A histórica onda de calor que atinge o Rio Grande do Sul nas últimas semanas, além de agravar a situação da estiagem no Estado, pode ter deixado um legado ainda mais dramático na cidade de São Borja. As altas temperaturas, acima de 40ºC durante 15 dias, podem ter ocasionado a morte de vários idosos no município.
Em contato com a reportagem da Rádio Missioneira, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), confirmou que, justamente no período em que a onda de calor atinge a cidade, houve um aumento repentino nos óbitos de idosos. Segundo a enfermeira do Samu, Letícia Barcellos, há o registro de várias pessoas desidratadas por falta de consumo de líquido.
Segundo a profissional, somente na última segunda-feira (24), a equipe constatou a morte de cinco idosos. No domingo (23), foram três. Nos últimos dias, o número de chamados para o Samu também teve um aumento considerável. Só no último domingo, foram 27 atendimentos, o que foge do cotidiano. Com tantos chamados ao mesmo tempo, a Central de Regulação Médica precisou realizar uma triagem, priorizando os casos de urgência e solicitando a ajuda do Corpo de Bombeiros.
Conforme levantamento da imprensa local, com base nos dados coletados junto ao Samu e funerárias da cidade, em menos de uma semana, entre os dias 18 e 23 de janeiro, foram constatados 31 óbitos, a grande maioria de idosos.
O fato, embora atípico no Brasil, é comum durante a passagem de grandes ondas de calor em outros países. Em 2018, a ocorrência de temperaturas acima de 40ºC matou mais de mil pessoas na França. Em 2010, a Secretaria Municipal de Saúde da cidade de Santos (SP), confirmou a morte de 32 idosos durante a onda de calor que atingiu partes do Brasil.
Rádio Missioneira