Em 1943 São Luiz Gonzaga testemunhava um acontecimento histórico. Uma multidão de aproximadamente 20 mil pessoas se aglomerava entusiasmada para festejar a inauguração da Estação Ferroviária. Um acontecimento que representava a chegada do progresso, em um período onde as rodovias praticamente inexistiam nas Missões.
Depois de anos de muita luta, inclusive envolvendo a figura do Senador Pinheiro Machado, a tão sonhada estrada de ferro chegava em São Luiz Gonzaga, ligando a cidade com Santiago.
Segundo a pesquisadora Ivone Ávila, do Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz, as obras foram executadas pela 3ª Companhia do 1º Batalhão Ferroviário do Exército. “Cerca de 300 civis trabalharam para erguer a ferrovia, construindo inclusive suas moradias as margens da estrada”, enfatiza Ivone.

Neste período, as viagens entre a região Central do estado e as Missões permitiram que centenas de famílias migrantes, principalmente descendentes de italianos de Jaguari, se instalassem nas zonas rurais de São Luiz Gonzaga e nos atuais municípios de Dezesseis de Novembro, Roque Gonzales e Rolador.
Ivone Ávila conta que as viagens até Porto Alegre via Santiago e Santa Maria duravam cerca de 24 horas e eram simples. “Haviam vagões de duas classes, com bancos de madeira e estofado e nas paradas os vendedores vendiam todo tipo de comida aos passageiros” relembra.
Em 1957 a ferrovia avançou até Cerro Largo. Foi preciso investir em ousadas obras para que o transporte fosse viabilizado neste trecho. A ponte rodoferroviária erguida no rio Ijuí foi um marco para a época. Coube ao presidente da República Juscelino Kubitschek inaugura-la, em uma visita histórica ao município de São Luiz. Dezessete anos mais tarde, em 1974, o ramal foi estendido até Santo Ângelo.
Durante cerca de 40 anos, viajar de trem pelas Missões foi algo corriqueiro. Os trens passageiros transportaram milhares de pessoas a partir de São Luiz Gonzaga e outras toneladas de cargas. Em meados dos anos 1980 as operações foram encerradas. A criação de rodovias e a utilização de outros meios para o transporte de carga, a exemplo do caminhão, inviabilizaram a continuação da atividade ferroviária.
Atualmente a sede da antiga Estação Ferroviária foi totalmente restaurada e abriga o acervo do Museu Arqueológico. A malha de trilhos, em sua maior extensão, encontra-se em situação imprópria para uso, não permitindo que a história se repita.
Rádio Missioneira