Os artistas da música regional a cada vez mais buscam inovar em seus trabalhos, em um cenário com inúmeros artistas produzindo muito e com qualidade alguns diferenciais são necessários para colocar a sua arte em evidência. Neste contexto, e utilizando a internet, é cada vez mais numerosa a produção de audiovisuais. A música regional tem apresentado cada vez mais vídeo clipes.
O grupo catarinense Quarteto Coração de Potro é formado por jovens que tem como uma de suas principais atividades a participação em festivais nativistas. No entanto, buscando um maior alcance, recentemente lançou um clipe no youtube da obra Carinhosamente de autoria do santo antoninense Rafael Machado e do músico e compositor Kiko Goulart de Lages.
O poema do jovem Rafael Machado e a melodia do virtuoso Kiko Goulart integra o acervo do festival Gauderiada da Canção de Rosário do Sul de 2017. Machado destaca que após o festival a música foi durante um tempo entre as mais tocadas da radiosul.net, uma rádio web especializada em música folclórica e nativa.
Para Kiko, a escolha de Carinhosamente para o vídeo clip, busca uma afirmação da própria identidade do quarteto lageano e um maior alcance de público.
O contexto do vídeo é o do poema que aborda os encontros e desencontros de uma relação amorosa, fato também diferenciado na música regional e que tem recebido elogios de outros artistas. Outro fator é a utilização de instrumentos musicais incomuns na música nativista com participações de Juan Lozano Carrera no Quenacho e Daniel Finardi Dante ao Piano.
Abaixo é possível conferir o vídeo clipe que foi gravado em Coxilha Rica e em Lages que em duas semanas já alcançou mais de 19 mil visualizações. Conheça também o poema Carinhosamente.
Carinhosamente
Letra: Rafael Machado
Música: Kiko Goulart
Com que direito regressas
à meu mundo – convivência –
fazendo novas promessas,
chorando velhas carências
depois de partir com pressa,
depois de tamanha ausência?
Te vejo contar da vida,
te vejo culpar o tempo
gesticulas distraída
enquanto eu – mais atento
colho esperanças caídas
das frases que joga ao vento.
Muito em breve – desarmado –
Sei que irei como sempre
Chamar teu nome abreviado
Assim carinhosamente
E aguardar concentrado
Que ceve um mate pra gente.
Depois d’um gole profundo
Palmeando a cuia quente
Sei que vais olhar no fundo
Dos meus olhos ternamente
E’ntão prometer-me o mundo
Até partir novamente.
Inoportuna essa ânsia
A quem chamas: liberdade
De sair beber distâncias
De voltar ao ter vontade
Abusas das circunstâncias
Te olvidas de minha saudade.
Mesmo com tuas partidas
como posso – me comovo –
jurar que tendo mil vidas
sem saber delas – por novo –
as daria sem medidas
pra fazer tudo de novo?
Traduzir o que se sente
– essa constante atração –
não é coisa que se tente,
não é tão simples missão…
Não se cantam facilmente
As ganas de um coração!
Fonte: Rádio Missioneira