Um ano depois de uma das maiores tragédias do país, familiares dos mortos no incêndio da boate Kiss, no dia 27 de janeiro de 2013, ainda não superaram a dor da perda. Grande parte dos 242 mortos na boate eram universitários nascidos em outras cidades e moravam em Santa Maria para estudar.
A tragédia também deixou famílias na região das Missões em luto. Três vítimas eram de São Luiz Gonzaga: Kelli Anne Azzolin, João Renato Chagas e Maria Mariana Rodrigues Ferreira. De Santo Antônio das Missões, morreram três jovens: Bárbara Moraes Nunes, sua prima Luciane Lopes e Douglas da Silva Flores.
A reportagem da Rádio Missioneira conversou Águeda Cecília Back, prima da jovem Maria Mariana, uma das vítimas do incêndio. Maria Mariana, apesar de nascida em Santa Maria, tem família são-luizense. Era apegada com os familiares que residem em São Luiz Gonzaga e sempre visitava a cidade.
Águeda disse que no dia da tragédia, ao ficar sabendo do que aconteceu, a família ligou para Maria três vezes seguidas, até cair na caixa postal. Nenhuma das ligações foi atendida. ‘’Sabíamos que se ela estivesse bem teria ligado, até o meio dia tínhamos a esperança de que ela estivesse dormindo em casa e nem soubesse o que havia acontecido na cidade’’, disse.
Ela tinha 18 anos e cursava Medicina Veterinária na UFSM. Ligada às questões religiosas, a jovem participava do Grupo de Jovens da Igreja Católica e estava preparando-se para participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, que ocorreu em julho de 2013.
Um familiar que reside em Santa Maria encontrou o corpo da jovem, o número 111, no Ginásio Farrezão. Depois, a família de Maria Mariana foi até a cidade reconhecer o corpo, que foi velado e sepultado em São Luiz Gonzaga, com a presença de familiares e amigos, alguns de Santa Maria, que vieram em excursão.
Quanto ao sentimento de perda para a família, Águeda disse que o conforta os familiares é o fato da jovem ter cumprido parte de sua missão na terra, ajudando as pessoas. ‘’A sensação é de saudade acompanhada a muita fé e orações, sabemos que de todos nós ela era a única que estava pronta’’, explicou.
Para superar o trauma, familiares passam por tratamento médico em Santa Maria. Bruno, que reconheceu o corpo, faz tratamento com psquiatras da UFSM. A mãe de Maria tem acompanhamento com psicólogos da Associação das Vitimas da Tragédia.
Sobre a punição aos responsáveis, Águeda disse que este é mais um caso de impunidade. ‘’Penso que será mais um caso de impunidade em que pouca coisa vai acontecer tanto para os acusados quanto para os municípios em questões de maior segurança em locais em que há aglomeração de pessoas, é só analisarmos o que mudou neste um ano’’, finalizou.