O governo do Estado promoveu, nesta quarta-feira (20/5), reunião com a Defesa Civil Estadual para atualização dos prognósticos climáticos para os próximos meses. O governador Eduardo Leite determinou a antecipação do fluxo de governança integrada com municípios sob maior risco de impactos climáticos diante do prognóstico de El Niño intenso a partir da primavera. Os dados mais recentes dos modelos meteorológicos indicam um rápido aquecimento do Oceano Pacífico, elevando para 83% a probabilidade de que a temperatura no Pacífico atingir entre 1,5°C e 2°C acima da média, o que caracterizaria um evento de intensidade comparável ao El Niño de 2015/2016.
A meteorologista da Defesa Civil, Cátia Valente, apresentou os dados que mostram um aquecimento acelerado do Pacífico: a temperatura saltou de -0,4°C no final de 2025 para 0,5°C já em maio deste ano, patamar que caracteriza o início da formação do El Niño. Além disso, o aquecimento anômalo do Oceano Atlântico aumenta a probabilidade de formação de frentes frias e ciclones extratropicais, fator que pode potencializar os impactos a partir do segundo semestre de 2026.
A especialista comparou que, a partir das condições oceânicas atuais, o cenário, neste momento, é semelhante ao observado em 2023, embora ainda passível de alteração passado o período de transição do outono. No entanto, fez questão de destacar: o El Niño sozinho não permite afirmar que eventos climáticos extremos ocorrerão. As consequências dependem da combinação com outros fatores como bloqueios atmosféricos e frentes estacionárias, cuja previsão com meses de antecedência não é possível.
“Ainda não podemos dizer exatamente quais consequências teremos. Mas é certo que algum tipo de transtorno será enfrentado. Por isso, a antecipação é nossa principal ferramenta”, reforçou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira.
Governança integrada e reuniões com prefeitos
Diante do prognóstico, o governador determinou à Defesa Civil o início, nas próximas semanas, de um fluxo de Governança Integrada de Proteção. A medida vai intensificar o diálogo com os municípios que, com base em histórico de eventos extremos e em análises técnicas de meteorologia, hidrologia e geologia, apresentam maior risco e vulnerabilidade – um conjunto de cerca de 60 cidades.
O marco inicial será uma reunião com os prefeitos dessas localidades nas próximas semanas, para compartilhar atualizações e diagnósticos personalizados sobre as áreas de maior risco em cada município. O objetivo é que os gestores municipais saiam do encontro em estado de atenção, alinhando desde já protocolos de preparação e acionamento dos planos de contingência diante da evolução dos prognósticos meteorológicos ao longo dos próximos meses. O passo seguinte à reunião geral inaugural deverá ser a realização de seminários regionais, com participação do governador em cada um deles.
Fonte: Secom
Foto: Maurício Tonetto/Secom