Santo Ângelo foi palco, no último domingo (26), de um dos momentos mais simbólicos das celebrações pelos 400 anos das Missões. Realizada em frente à Catedral Angelopolitana, a Missa da Terra Sem Males reuniu público expressivo em uma celebração marcada pela espiritualidade, arte e, principalmente, pela reflexão.
O evento trouxe à tona a memória e a resistência dos povos originários, especialmente os indígenas Guarani que vivem na região missioneira. Ao longo da missa, não faltaram manifestações críticas ao processo histórico de extermínio e apagamento dessas populações, reforçando a necessidade de reconhecimento e respeito às culturas indígenas.
Um dos momentos mais marcantes foi a encenação do retorno de Sepé Tiaraju, símbolo da luta dos povos missioneiros, cuja morte representa um dos episódios mais emblemáticos da história regional. A apresentação emocionou o público e reforçou o tom reflexivo da celebração.
A proposta do evento reuniu um grande coral com 400 vozes — número que simboliza os quatro séculos da presença jesuítica na região. Sob a condução do maestro Martín Coplas, responsável pela composição musical, coralistas de diferentes municípios participaram da apresentação, em um espetáculo coletivo que integrou vozes de toda a região.
A Missa da Terra Sem Males é uma obra cantada e musicada, com texto de Dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, estruturada em sete movimentos. Mais do que uma celebração religiosa, a apresentação propõe uma reflexão profunda sobre a história, a fé e a resistência dos povos indígenas, destacando a importância do respeito, da memória e da valorização das culturas originárias.
Fotos: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Santo Ângelo
Fonte: Rádio Missioneira