Rádio Online

Clique e confira

(55) 3352-4141

Fale conosco!

Rua Júlio de Castilhos 2236, Centro, São Luiz Gonzaga, RS

Preconceito, busca por aceitação por serem quem são: histórias de mulheres trans em São Luiz Gonzaga e região

“A gente não pode ter vergonha daquilo que a gente é”, diz
segurando nas mãos a certidão de nascimento em nome de Maitê Costa Machado, do
sexo feminino. Ela foi a primeira mulher transexual a retificar o documento no Cartório
de Registro Civil em São Luiz Gonzaga. Para a jovem, que vive no país onde a
cada 48 horas uma pessoa trans é assassinada, é um marco histórico em sua vida.
“É muito bom olhar o documento e ver seu nome e o gênero que se identifica. É
algo que sempre quis”, conta Maitê.

Maitê foi uma das pessoas beneficiadas por uma regulamentação
recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a mudança no documento
em qualquer cartório do Brasil, sem burocracias.
Antes, o procedimento era
feito somente por via judicial, sendo necessária muitas vezes a comprovação da
mudança de sexo por cirurgia. O princípio do respeito à dignidade humana foi o
mais invocado pelos ministros para decidir pela autorização.

Formada em Serviço Social e Técnico em Enfermagem, ficou
contente com a notícia, e prontamente foi ao cartório para pedir a mudança.
Conforme a titular Ana Lúcia Da Cas, o procedimento é simples e feito em 24
horas. A taxa é de R$ 120,44.  A equipe
está preparada para atender a essa demanda. Maitê elogiou o atendimento
prestado no local, declarando se sentir acolhida e atendida com todo respeito.

Dificuldade de
conseguir emprego e aceitação

Ser trans em um país com uma sociedade preconceituosa como o
Brasil, é uma luta diária, destaca a profissional, que já pensou em suicídio na
adolescência. Mesmo com apoio incondicional da família, as dificuldades que enfrenta
são inúmeras. Ao passar na rua, ouve comentários ofensivos pela sua condição.
Ela conta que o preconceito é tanto de homens quanto de mulheres.

A profissional destaca que uma das piores é não conseguir um
emprego na cidade, mesmo que tenha formações acadêmicas. “Uma vez fui deixar um
currículo e me disseram que eu não poderia trabalhar por ser trans, que as
únicas profissões pra nós era a prostituição ou cabeleireira”, relata com
tristeza, por estar desempregada e precisando de um emprego.

Mudança de troca de
sexo

Há três anos, Maitê participa de um programa de tratamento oferecido
pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital das Clínicas em Porto Alegre. É Programa
de Identidade de Gênero (Protig), existente desde 1998 e referência nacional no
assunto. A são-luizense ficou sabendo da iniciativa no posto de saúde, que fez
o requerimento para participar.

Ela recebe tratamento hormonal, psicológico e de outras
especialidades com uma equipe multidisciplinar em consultas mensais. Além
disso, a convivência com outras mulheres trans e a troca de experiências são positivas
e saudáveis, afirma.  As etapas são
necessárias para a cirurgia de troca de sexo, a qual sonha. 

Não há uma previsão
para que isso ocorra, uma vez que são muitos pacientes atendidos no local. “Eu
tenho muita expectativa e um pouco de medo, mas sei que é isso que eu quero”,
garante. Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a
transexualidade da lista de transtornos mentais, outro marco importante para a
visibilidade e combate à transfobia.

Ser trans em uma cidade
de cinco mil habitantes

Se existe preconceito em uma cidade de médio porte, em São Nicolau,
com pouco mais de cinco mil habitantes, pode ser ainda pior. Mas para Christiane
da Luz Cezar, de 25 anos, as perspectivas são animadoras. “São Nicolau nesse
quesito, além de outros, tem me surpreendido bastante”, relata a fotógrafa. “A
cabeça das pessoas aos poucos está evoluindo por aqui. Muita gente admira nossa
coragem, nosso empenho em conquistar o nosso espaço”, complementa.

Além de tentarem a aceitação da sociedade, as mulheres trans
ainda passam por um processo de auto aceitação, como relata Christiane. “A gente
percebe que mudanças precisam ser feitas tanto pras pessoas entenderem nossa
condição e nos respeitarem como tal, quanto pra nós mesmas, mulheres
transexuais, conseguirmos ter realmente a auto aceitação do realmente somos”,
explica.

Mesmo assim, já enfrentou e ainda enfrenta muito preconceito.
“Infelizmente ainda ha pessoas que se recusam a aceitar que isso seja uma coisa
normal, que nós existimos, que não somos algo caricato, que não somos homens de
saia e maquiagem como infelizmente eu já presenciei ser dito”, ressalta.

Ela vê a situação com tristeza e medo, diante dos crimes
transfóbicos que ocorrem com frequência, inclusive em cidades próximas. Nesta
semana, uma transexual foi assassinada brutalmente a pauladas em São Borja
. Thalia
Costa era conhecida e querida na comunidade da fronteira.  A Polícia Civil prendeu um jogador de futebol
em flagrante, acusado de praticar o crime. Segundo a polícia, eles tinham uma
relação íntima recente. O jogador é casado e mãe de uma filha recém nascida.

Ser quem são

Tanto Maitê quanto Christiane
afirmam que a melhor maneira de combater o preconceito é não se calar. Para
Maitê, é preciso não se importar com os olhares da sociedade e cuidar da saúde
mental. “Não podemos ter vergonha de ser quem somos. Não podemos pensar nos
outros”, destaca.

“Precisamos manter nossa luta sempre ativa. Não digo luta de
uma maneira rude, querendo impor que as pessoas nos aceite, mas manter a ideia
de que independente da aceitação, o respeito é fundamental”, comenta a
fotógrafa.

Elas também concordam que as pessoas precisam ser instruídas
quanto à transexualidade, para que entendam que a única coisa que as pessoas transgênero
querem é serem felizes e viver as vidas exatamente como são e se sentem.
Exatamente como todos os seres humanos buscam.

IMPORTANTE: Não autorizamos a reprodução de conteúdo em outros sites, portais ou em mídia impressa, salvo sob autorização expressa.

toto 5000
sdtoto
agen togel
bandar togel terpercaya
toto slot88
situs toto
togel deposit 5000