A região missioneira relembra, nesta semana, um dos episódios mais marcantes de sua história. Há 385 anos, em 11 de março de 1641, teve início nas águas do Rio Uruguai a histórica Batalha do M’Bororé, considerada por muitos pesquisadores como a primeira batalha naval da América do Sul.
O confronto ocorreu ao norte do atual município de Porto Vera Cruz e do Cerro M’Bororé, já em território argentino. Nesse local, indígenas guaranis e padres jesuítas enfrentaram bandeirantes vindos principalmente de São Paulo, que avançavam sobre a região com o objetivo de capturar indígenas para escravidão e atacar as reduções em processo de instalação.
De acordo com o historiador argentino Esteban Snihur, o confronto envolveu uma força bandeirante formada por cerca de 2,7 mil homens e tropas missioneiras, terrestres e navais, que alcançavam aproximadamente 4 mil guaranis. Segundo ele, os indígenas aguardaram estrategicamente o momento em que os bandeirantes dobrassem a volta do rio para iniciar o enfrentamento.
Ainda conforme Snihur, a escolha do local para a batalha não foi por acaso. A área possui características geográficas favoráveis, com terreno relativamente plano, permitindo que uma grande tropa permanecesse posicionada por longo período à espera do confronto. O historiador também aponta que, naquela região, dois rios menores desembocam no Uruguai, o que teria servido de abrigo para canoas e embarcações guaranis utilizadas no ataque surpresa contra os bandeirantes.
Após o confronto inicial nas águas do rio, os invasores foram obrigados a desembarcar na margem direita do Rio Uruguai, momento em que começaram os episódios terrestres da batalha. Segundo os pesquisadores, essa manobra fazia parte da estratégia missioneira: forçar os bandeirantes a entrar em território conhecido pelos guaranis, onde já haviam sido preparadas posições defensivas e armadilhas na mata.
O pesquisador missioneiro José Roberto Oliveira, em recente explanção sobre o assunto nas redes sociais, destaca a dimensão da mobilização indígena no confronto. Conforme suas análises, os missioneiros contavam inclusive com 300 fuzis e até um canhão.
Para Oliveira, a vitória missioneira foi decisiva para o rumo da história regional. Segundo ele, a derrota dos bandeirantes marcou o enfraquecimento das expedições voltadas à captura de indígenas nas reduções. Após o episódio, muitos desses grupos passaram a direcionar suas incursões para outras regiões do Brasil em busca de ouro e pedras preciosas.
Atualmente, o Cerro M’Bororé é uma área natural protegida na província de Misiones e pode ser visitado por quem deseja conhecer de perto o cenário desse importante capítulo da história missioneira.
Como parte das celebrações pelos 385 anos da Batalha do M’Bororé, ocorre no próximo sábado (14), a partir das 19h, a Serenata del M’Bororé, evento cultural realizado junto ao cerro que reúne apresentações artísticas e momentos de homenagem à memória da batalha.
Foto: Portal das Missões
Fonte: Rádio Missioneira