A má distribuição das chuvas e o elevado custo de produção seguem como os principais desafios enfrentados pelo setor agropecuário na região. O alerta foi feito pelo presidente da Coopatrigo e da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, em entrevista ao programa Jornal da Manhã, nesta terça-feira (3).
De acordo com o presidente, o cenário climático tem sido marcado por períodos de calor intenso, com temperaturas próximas dos 40ºC, combinados com chuvas irregulares, o que compromete as lavouras e aumenta o risco de perdas. Segundo ele, mesmo com investimentos em tecnologias para reduzir os impactos, como a irrigação, a instabilidade do clima segue sendo um fator determinante para o desempenho das safras.
Paulo Pires destacou que a irrigação tem sido fortemente incentivada pela cooperativa como alternativa para mitigar os efeitos da estiagem e da irregularidade das precipitações. No entanto, ele reconheceu que nem todos os produtores conseguem implementar o sistema, especialmente em função dos altos custos envolvidos.
Outro ponto ressaltado pelo presidente da Coopatrigo é o aumento expressivo dos custos de produção. Conforme Pires, a maioria dos insumos e itens necessários para a atividade agropecuária tem registrado elevações superiores à inflação, pressionando as margens e dificultando o equilíbrio financeiro do produtor rural.
Mesmo diante desse cenário adverso, o dirigente reforçou a importância da resiliência do setor e da visão de longo prazo. Ele lembrou que a Coopatrigo encerrou 2024 com um faturamento de R$ 2,45 bilhões , mas que a frustração da safra de soja em 2025 impactou negativamente os números, reduzindo o volume faturado.
Ainda assim, Pires explicou que o desempenho da cooperativa está diretamente ligado ao tamanho das safras. Em anos de produção dentro da normalidade, o faturamento atinge níveis elevados, enquanto em períodos de frustração, o impacto é sentido nos resultados, sem comprometer a relação dos produtores com a cooperativa.
Durante a entrevista, o presidente também anunciou que as reuniões regionais da Coopatrigo terão início na segunda quinzena de fevereiro, quando a direção visitará os municípios da região para debater a situação atual, ouvir os associados e discutir estratégias para enfrentar os desafios impostos pelo clima e pelo custo de produção.
Fonte: Rádio Missioneira