Um dos maiores legados deixados por João Chagas Leite, que faleceu nesta terça-feira (11), aos 80 anos, é a canção “Desassossegos” — uma obra que ultrapassa o tempo e se consagra como um retrato profundo da solidão e da saudade no universo rural gaúcho.
Composta em parceria com Vaine Darde e lançada em 1998, “Desassossegos” é uma das músicas mais emblemáticas do nativismo gaúcho. A interpretação de João Chagas Leite deu à canção um tom de melancolia e verdade que tocou gerações. A música descreve a solidão como uma presença quase palpável, misturada aos elementos da vida no campo — o mate, o pôr do sol, o vento e a saudade.
Em versos como “cada pôr do sol dói feito uma brasa, queimando lembranças, no meu coração”, a letra traduz a dor da perda e o desassossego da alma diante da ausência.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, ele construiu um repertório com mais de 300 composições, incluindo sucessos como “Ave Sonora” e “Por Quem Cantam os Cardeais”.
Sua trajetória foi marcada pela superação. Mesmo sem ter a mão esquerda, que o obrigou a tocar violão de forma invertida, João Chagas Leite aprendeu a dominar o instrumento com o uso do dedal, símbolo de sua perseverança e paixão pela arte.
O velório ocorre na Funerária Passuello, em Erechim, a partir das 14h desta terça-feira. O sepultamento está marcado para as 9h de quarta-feira (12), no Cemitério Pio XII. A Prefeitura de Uruguaiana, sua cidade natal, decretou luto oficial de três dias em homenagem ao cantor.
Foto: arquivo pessoal
Fonte: Rádio Missioneira