Encerrando a programação dos Festejos Farroupilha em São Luiz Gonzaga, a Câmara Municipal realizará, na próxima segunda-feira, 22, uma Sessão Solene para a entrega de homenagens a personalidades e músicos que se destacam na preservação da cultura missioneira. Entre os reconhecimentos, está a Comenda Noel Guarani, que neste ano será concedida aos Irmãos Borges, em escolha realizada pela Associação dos Músicos de São Luiz Gonzaga.
A homenagem celebra a trajetória da família que marcou para sempre a música missioneira. Naturais da Vila Seca, em Santo Ângelo, os irmãos nasceram em um lar simples, filhos de Vergelino e Cristina Borges. A vida no campo, os afazeres da roça e a tradição oral do pai – trovador e gaiteiro – foram determinantes para o despertar da musicalidade que uniu os sete filhos. Três mulheres e quatro homens formavam a família, entre eles Luiz Carlos Borges, o mais novo e que se tornaria uma das grandes referências da música regional gaúcha.
Ainda na infância, a mudança para São Luiz Gonzaga permitiu que Luiz desse os primeiros passos mais formais na música, com aulas no Conservatório Musical Missões. O talento, porém, já se manifestava muito antes, quando, com apenas cinco anos, empunhava uma gaitinha de botão para acompanhar o pai e os irmãos. Em 1962, no CTG Rodeio das Missões, em São Lourenço das Missões, os Irmãos Borges se apresentaram profissionalmente pela primeira vez, iniciando uma trajetória que daria projeção ao nome da família em todo o Rio Grande do Sul.
Com apenas 13 anos, Luiz Carlos já ultrapassava as fronteiras missioneiras, levando sua gaita e sua voz para diferentes regiões do Estado. Ao lado da irmã Irenita, formou duetos que conquistaram públicos e impressionaram até mesmo ícones como os irmãos Bertussi. A musicalidade que brotava do seio familiar encontrou inspiração também no rádio, onde Luiz e os irmãos ouviam e aprendiam com mestres da música caipira e regional, como Raul Torres e Florêncio, Silveira e Barrinha, e Tião Carreiro e Pardinho.
O legado deixado por Luiz Carlos Borges é imensurável: 269 obras musicais e mais de 700 gravações cadastradas, além de uma vida dedicada à divulgação da cultura missioneira.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Câmara